Afinal, o que faz o Psiquiatra?

Muito mais que “médico de doido”, o psiquiatra atua nas alterações de humor, como tristeza e irritabilidade, do comportamento, como a impulsividade, e dos pensamentos.

Dr. Manoel Vicente  - Psiquiatra em Cuiabá

A psiquiatria ganhou essa fama, de tratar apenas pessoas com alterações graves, com quadros incapacitantes, porque por muito tempo esse era realmente o público atendido pela especialidade.

Quem tivesse situações mais leves e moderadas tinha poucas alternativas a não ser aprender a conviver com os sintomas e sofrimento durante grande parte da vida. As medicações tinham efeitos colaterais importantes, como ganho de peso e sonolência.

Desse retrato do passado, veio a imagem que alguns ainda tem do médico psiquiatra.

Da década de 90 para cá, a ciência evoluiu, a especialidade cresceu, a compreensão do ser humano só aumentou.

O tratamento com o psiquiatra não é mais sinônimo de “ficar dopado o dia inteiro”, de ganho de peso, nem de piora de qualidade de vida. Da mesma forma, o tratamento não é mais para quem está “no fundo do poço”, com depressão grave, esquizofrenia ou doenças que precisam de internação.

Não só as medicações ficaram mais modernas, aumentaram as abordagens de terapia, e surgiram tratamentos não medicamentosos, como a Estimulação Magnética Transcraniana.

Entendemos que alterações no estilo de vida, com prática de exercícios, meditação e espiritualidade podem ser transformadoras.

Isso mudou tudo. Agora o Psiquiatra deve ser visto como o médico de quem quer se sentir bem, de quem sabe que não merece conviver com sofrimento diário, de quem não está se sentindo no controle da própria vida. Você pode estar com um problema passível de melhora.

Se a sua preocupação são os efeitos colaterais, então fale sobre isso. Não quer ficar dependente de medicação? Questione o profissional. A consulta é o momento de falar e ser ouvido sem julgamentos.

Antes de tratar sintomas da mente, nós lidamos com gente. Não tenha medo, procure atendimento, o vínculo que você vai desenvolver pode iniciar uma nova fase da sua vida.

Depressão tem Tratamento!

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Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Eco-Ansiedade: como o fogo, ela está se alastrando

Imagine que você pretende viver por várias décadas.

Imagine saber, sem sombra de dúvida, que em alguns anos você assistirá catástrofes e quando tudo começar não será possível voltar atrás.

Imagine ter convicção que as próximas gerações vão herdar um mundo com o meio ambiente e atmosfera devastada.

Só de escrever essa introdução já sinto ansiedade, ter esse futuro reforçado por todo relatório, notícia e estudo científico sério gera um novo fenômeno psicológico: a eco-ansiedade.

A Associação Psicológica Americana definiu o termo como o medo crônico de uma catástrofe ambiental.

Assim como o nível dos mares, a tensão emocional em torno das mudanças e de futuras calamidades climáticas tem aumentado progressivamente. 

O tema sempre pareceu distante, aquecimento global é importante para um futuro inespecífico e “não vai me atingir”. Com a pandemia de COVID 19 também pensamos assim.

Além disso, o cérebro humano não enxerga mudanças que ocorrem no decorrer de anos. Não agimos se os resultados só aparecem na próxima década, somos péssimos em prevenção. 

Essa visão limitada atrapalha, por exemplo, o planejamento de uma aposentadoria, e dificulta a encarar as verdades sobre as consequências climáticas da atividade humana. 

O assunto é tão desconfortável que criamos um silêncio social em torno disso, em Cuiabá o tema só aparece no período da seca e queimadas e se encerra com a chuva do caju.  Já estamos em clima de eleição e meio ambiente nunca pautou a escolha de governantes em nossa cidade.

Temas que geram ansiedade alimentam líderes negacionistas, o discurso dessas figuras são o ansiolítico. É só discursar que é tudo mentira, que aquecimento global não existe e que as queimadas sempre aconteceram e pronto, discussão encerrada. 

O problema é que criar uma “versão alternativa dos fatos”, antigamente chamada de mentira,  não muda a realidade. Não funcionou na pandemia e não vai funcionar com a natureza, acredite.

Os próximos quatro anos devem ser mais secos e mais quentes do que os quatro anos anteriores, o pantanal encolherá mais um pouco e a fauna será mais destruída. Perderemos milhares de hectares da Amazônia e a humidade que ela trás à atmosfera. 

Afirmações simples, sólidas e, pelo visto, inevitáveis.

Quem opta por reconhecer a realidade precisa lidar com a sensação de impotência, que aliada a falta de perspectivas de futuro sustentável gera a eco-ansiedade. 

A ansiedade normalmente é ligada a distorções dos fatos e a sensações físicas como falta de ar. A eco-ansiedade vem justamente do não distorcer os dados e a falta de ar é bem real.

O desconforto sentido pelas imagens do pantanal em chamas, de animais morrendo e da amazônia cada vez mais devastada, deve progressivamente aumentar essa sensação em nosso estado.

Espero que, como fogo, a eco-ansiedade se alastre e seja o combustível de mudanças que precisamos. Torço para que seja a tempo. 

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A Trajetória da Ofensa

Ela não surgiu do nada, não é fruto do éter, não veio do vácuo. 

É filha das estruturas, cresceu nas entrelinhas, se alimenta de indiretas.

Vou contar a trajetória da Ofensa, a Ofensa Contra Pessoas Deprimidas.

Pude acompanha-la em vários momentos, quando ela nasce e quando mata. 

Sem nenhuma formalidade ela aparece no trabalho contra a colega afastada para tratamento. Na mesa de almoço com uma cadeira vazia, quando o filho não conseguiu sair da cama e interagir com a família. 

Seu papel é ferir. Aumenta o sofrimento, nunca vai traz positividade a quem sofre. 

Aumenta a carga do outro e o autor não ganha a nada em troca.

Não volta atrás, como a flecha, mas esta só atinge um alvo. A palavra vai mais longe, quem ouvir pode sair ferido.

Atinge a criança com depressão, a adolescente que esconde seus cortes e o seu  amigo sorridente que sofre por dentro.

A Ofensa sai da boca de Alguém. Para esse Alguém ela é semente, a semeadura foi opcional, mas a colheita vai ser obrigatória.

Alguém é humano, é uma pessoa, e sendo pessoa, pode ficar deprimido.

É nesse momento, de sofrimento e dor que a colheita acontece. 

Alguém que era acostumado a julgar a vida alheia, vai sentir todo o peso das Ofensas. 

“Você é um fraco”, “é uma decepção”, “está louca”, “é preguiçoso”, elas vão ressoar, atormentar e tornar muito mais difícil o tratamento de Alguém que optou por ofender.

Só existe um caminho para se livrar desse peso: falar.

A palavra que pode ferir, também pode curar.  Assumir que ofendeu, se haver com seus preconceitos,  enfrentar de forma honesta suas próprias Ofensas.

Todos podemos ser esse Alguém, podemos também deixar de ser.

Ajude mais, ofenda menos. 

Você não sabe o quanto isso fere o outro, está atingindo quem nem imagina, e te garanto que na hora da colheita vai se arrepender, sem ofensas. 

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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O problema não era o bode

A apócrifa parábola narra a história de uma família cheia descontentamentos e reclamações sobre a sua casa. Um sábio intervém e coloca um bode no meio da sala de estar. Mau cheiro, perda do espaço e o berrar incessante, a vida é desconfortável com o bode ali. 

Uma vez retirado o animal, todos se entreolham e percebem o lar maravilhoso que compartilhavam. 

Existe outra história recorrente com bodes, nela a família se sente mais confortável com o problema dentro da casa. 

Conviver com um familiar com uma doença psiquiátrica pode ser uma situação difícil. A doença é o problema. 

Conflitos na relação, reprovação escolar e demissão do emprego. Discussões à mesa e lágrimas à cama.

Quando um lar possui um filho, mãe ou irmão que sofre, por exemplo,  de depressão ou transtorno bipolar e a doença se estende por anos sem tratamento é fácil acusar o familiar de ser causador de todo problema da casa. 

O bode expiatório. 

Segundo a tradição judaica, era o bode que carregava consigo os pecados de um povo. 

Atribuir os conflitos, a infelicidade e os vícios da família ao único membro que se trata com um psiquiatra ou psicólogo é o movimento instintivo de quem não percebe suas próprias falhas. 

Quem busca tratamento profissional normalmente melhora, se sente mais dono de si, se afirma enquanto indivíduo e, bem, estabiliza os seus problemas. 

Progressivamente a “estourada” passa a se controlar. O ansioso fica mais calmo. Quem chorava, agora sorri. 

Em algum momento aquela pessoa se tornou equilibrada, tem segurança de suas opiniões, toma decisões e se torna mais independente. 

Paradoxalmente, é quando ela mais incomoda. 

Uma vez tratada a doença, todos se entreolham e percebem o lar adoecido que compartilhavam. 

Acabou aquele culpado fácil, problemas também eram causados por quem apontava o dedo. 

A depressão não estragou o casamento, o casamento infeliz desencadeou a depressão. A mãe gritava com o filho porque ele não estudava, mas os  gritos atrapalhavam o estudo. A filha “problemática” não desestruturava a casa, um lar desestruturado lhe trouxe problemas. 

Confrontados com realizações mais incômodas que um bode na sala, é nesse momento que a família sabota o tratamento.

Critica as medicações, fala mal “das idéias da psicóloga” e tenta, a todo custo, colocar a pessoa de volta em seu lugar, o de bode expiatório.

Famílias que se envolvem nos tratamentos, que estão dispostas a também melhorar, constroem um lar sadio, menos propenso ao adoecimento.

Expiar pode ser purificação, reconhecer e assumir consequência por equívocos. No bom cuiabanês, ixpiá é olhar, prestar atenção. 

Não expie suas falhas com seu familiar, ixpie você as suas.

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Setembro Amarelo: Vamos falar sobre o que salva vidas


O Setembro Amarelo é a campanha de prevenção ao suicidio, mas ainda falamos pouco sobre o que realmente consegue evitar esse desfecho, o tratamento profissional. 

O conteúdo em redes sociais e veículos profissionais foca em empatia, entender o outro, estender a mão e outras variações.

Isso é ótimo, claro, precisamos desses valores e eles são o primeiro passo para agir, mas são só isso mesmo, o primeiro passo. 

A discussão sobre acesso a tratamento fica de fora e predominam dicas e conselhos de como ser feliz e cuidar da mente. 

Oras, quem consegue ficar bem por esforço próprio não está gravemente doente e não deve tentar suicidio em um futuro próximo. 

Suicídio não é um evento aleatório, inevitável, quase acidental, ele é resultado de doenças que não conseguimos tratar antes. Por isso é uma causa evitável de morte.

Como um prédio que acumula ferrugem por anos, acumular sofrimento, dor emocional e ter uma depressão não tratada corrói as estruturas internas de qualquer pessoa.

O suícídio é o colapso, o desmoronamento, o fim dramático, por isso chama a atenção. O processo que levou a ao ato começou muito antes.

Pessoas deprimidas melhoram com tratamento efetivo conduzido por um profissional especialista.

Um exemplos simples, a medicação psiquiátrica Carbonato de Lítio, ou somente Lítio, reduz de forma inequívoca o risco de suicidio em pacientes deprimidos. 

Estudos apontam até 5 vezes menos risco de suicidio em pessoas que usam essa medicação. 

Existem até mesmo correlação entre o nível de lítio na água de uma cidade e seus índices de suicidio. Quanto mais lítio, menos suicídios

O uso precisa ser feito com acompanhamento de psiquiatras experientes.

Como pode a discussão sobre o acesso a profissionais e a medicamentos como o Lítio ficar de fora da conscientização do Setembro Amarelo?

Quantos psiquiatras atuam na rede pública da sua cidade? Quantas semanas se espera para conseguir uma consulta?

Em Cuiabá e Várzea Grande diversos hospitais privados e públicos não possuem psiquiatras responsáveis pelos pacientes, cabe a família procurar um profissional. É cada um por si. 

Os planos de saúde do estado não tem convênio com hospitais para internação dos casos graves, não existe atendimento especializado 24 horas na rede pública (nossa vizinha Campo Grande tem quatro serviços do tipo). 

O hospital Adauto Botelho míngua sem vagas e estrutura. Na prática, não existe hospital estruturado para tratar uma pessoa com ideação suicida em nossa rede, pública ou particular. 

Como podemos ignorar esses fatos, usar um lacinho amarelo e sorrir? 

Não quero jogar um balde de água fria em quem está engajado na campanha, se envolva, o assunto é importante, mas como a campanha é de conscientização, vamos tomar consciência do que realmente causa impacto.

Quem está doente precisa sim de empatia, como qualquer pessoa, mas precisa, com muita pressa, é de ajuda efetiva, especializa e rápido.

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Cuidar dos profissionais da saúde salva vidas

Com o afastamento de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas contaminados pelo novo coronavírus, fomos lembrados de um chocante fato: profissionais da saúde são feitos de carne e osso e também adoecem.

Um médico doente contaminando pacientes seria inimaginável.  

E aqui vai outro fato, por vezes ignorado: esses trabalhadores também têm emoções, precisam cuidar da saúde mental e às vezes ficam deprimidos e fragilizados em seu cotidiano forte. 

Muito antes da pandemia, isso já era realidade.

Levantamentos apontam sintomas de depressão e ansiedade em mais de um terço da categoria, que também têm risco significativamente aumentado de suicídio. 

Esse cenário se relaciona com outra causa crescente de mortalidade: a que ocorre em decorrência de cuidados hospitalares. 

A última divulgação do Instituto de Estudos sobre Saúde Suplementar, que avalia as ocorrências no Brasil, revelou que em um ano mais de 50 mil pessoas faleceram por complicações de procedimentos como colocação de cateteres ou cirurgias.

A maioria por erro ou má habilidade de quem realizou.

São seis vítimas por hora. 

Assim como um profissional infectado prejudicaria pacientes de forma inaceitável, um médico, enfermeiro ou técnico de enfermagem com a saúde mental comprometida também se torna risco ao paciente.

Comete mais erros diagnósticos, mais lesões cirúrgicas e falhas por desatenção.

Um médico com depressão não tratada tem 95% mais chance de cometer erros potencialmente fatais, segundo a Associação Médica Americana. Isso mostra que o assunto não é preocupação apenas dos profissionais, mas caso de saúde pública. 

Zelar pelo emocional do elemento humano certamente salva vidas e melhora a eficiência dos investimentos em saúde. 

Assim como queremos máscaras, luvas e equipamentos de proteção que previnam o adoecimento físico dos nossos cuidadores, também são urgentes ações efetivas de prevenção de adoecimento mental. 

Melhorar vínculos empregatícios seria um dos remédios com impacto positivo. 

Ainda que vinculados a instituições públicas ou privadas (e muitas fazem questão de negar relação empregatícia), a remuneração em regime de plantões imputa a pressão como a de um trabalhador autônomo – “Se você adoecer, ficará sem salário”. 

Como resultado, mesmo adoecidos, a maioria continua atendendo pacientes.

Essa situação ainda pressiona o profissional a atuar em diversos hospitais, fazer cargas horárias supra fisiológicas a espécie humana (24 ou 36 horas contínuas de plantão), sem tempo para lazer, sem tempo para descanso, sem tempo para viver. 

São pessoas que não se acovardam ao atender de quem precisa, mas acabam deixando de lado seu próprio bem estar.

Aproveitando as lições da pandemia, vamos assimilar que a prevenção tem muito mais efeito que tratar um problema instalado. 

Esperar a infeção, esperar a depressão, a estafa mental, a crise de ansiedade ou adoecimento para cuidar de quem cuida é o caminho que leva inevitavelmente ao erro.

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Mensagem aos Futuros Médicos

Fiz essa apresentação para os calouros da Universidade Federal de Mato Grosso, faculdade onde fiz minha graduação.

É a mensagem que tenho para todos estudantes, médicos, médicas que conheço, inclusive os que são meus pacientes.


Espero que isso ajude a criar uma jornada com bem estar, satisfação, e saúde mental!

Se precisar de ajuda, procure um profissional!

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Sua mascára está te sufocando?

Acordar, banho, colocar a máscara, trabalho, bom dia, boa tarde, boa noite, tirar a máscara, dormir.  Mais um dia, colocar a máscara, repetir, tirar a máscara, dormir.             

Está cansado? É normal, é comum, é o esperado.             

Cansa mesmo, carregar uma máscara impede que vejam seu rosto, não deixa sua voz ser ouvida. A gente até esquece como era sorrir quando não precisava dela.             

Muito mais que a máscara de tecido, a máscara social não protege, sufoca.            

Fingir que está tudo bem, vestir um sorriso falso, contatos sociais sem sentido e relações tóxicas já eram o decreto em muitas repartições, empresas, famílias e casais.             

Eu, como psiquiatra, sempre deixei claro que tirar a máscara é permitido, pode ser assustador, você se sente exposto, desprotegido, mas é um grande passo para ficar bem. 

O processo de melhorar passa pela admissão, para você mesmo, que aquela fachada é falsa, esconder, nesse caso, só deixa o problema maior e te deixa longe de um progresso.   

“Nao Posso Respirar”              

Última frase dita antes do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos por um policial, desencadeou a mais recente onda de protestos da população negra, que não aguenta mais ser sufocada diariamente.             

Racismo é uma doença que já devia ter sido curada. Preconceito estrutural não tampa só a boca, anula o sofrimento, estrangula o crescimento econômico e amarra o desenvolvimento social de uma parcela da população. Sou branco, nunca passei por isso, nunca vivi as insidiosas, lentas e silenciosas microagressões racistas que contaminam nossas interações. 

Nunca fui seguido por seguranças, ninguém ficou surpreso com alguma conquista acadêmica ou intelectual e minha aparência nunca me prejudicou em entrevistas de emprego. 

Se quiser fingir que nada disso tem a ver com minha cor, eu entro nessa dinâmica cínica e disfuncional de acreditar que as oportunidades são iguais, que o mérito é todo meu e com esforço todos terão as mesmas oportunidades.  

A sociedade veste essa falsa máscara de igualitária e inocente.

Eu, como cidadão, quero ajudar a tirar essa fachada que acoberta o racismo no trabalho, na família ou em casa. Espero que as manifestações atuais toquem nessa ferida não cicatrizada e exponham nossa verdadeira face. 

Temos medo do que tem por baixo, mas é o primeiro passo para a melhora e se esconder não é uma opção. 

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A Dopamina que uma curtida dá

Diz o primeiro passo do Narcóticos Anônimos: “Admitimos que éramos impotentes perante nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis”.

Se as redes sociais são uma nova forma da sociedade interagir, o que seria uma curtida? Um jóia? Um aplauso? Uma piscada? Uma reverência ou uma indireta? Tem significado ou é totalmente casual?

Abrir mão de privacidade, fazer acrobacias, expor filhos, falar sem pensar, tirar trinta selfies e achar que nenhuma está boa o suficiente para ser compartilhada, compartilhar tudo isso porque?

Sean Parker, um dos fundadores do Facebook admitiu que eles exploraram uma vulnerabilidade na psicologia humana, cada curtida ou comentário te entrega uma microdose de Dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e satisfação. 

Da cafeína à cocaína, ela é a molécula chave das dependências.

Como o consumidor de uma substância viciante, você se pega compulsivamente abusando do feed e checa atualizações em busca daquele passageira e deliciosa dose de aprovação social.

Quem vive em torno disso ganha até um rótulo, o “biscoteiro”, que como numa experiência Pavloviana, existe pela busca do próximo agrado, do próximo afago, acreditando que recebe verdadeiro afeto. 

Já existe termo técnico para a dependência de Internet, a Nomofobia (adaptado do inglês “no mobile phone”), que deve ocupar lugar nas futuras classificações diagnósticas de saúde mental. Isso não é a toa, existe real impacto desse hábito no emocional.

Da próxima vez que abrir seu aplicativo, se pergunte, porque estou fazendo isso? Está atrapalhando meu sono, aumentando minha ansiedade, piora minha auto estima? Quanto valor dou a essas interações? Quanto tempo invisto nisso? Que sentimento isso me agrega? 

Em toda adicção também existe o componente da pressão social, amigos oferecendo cigarro ou estimulando a consumir bebida, por exemplo, como você vai encarar uma dependência cuja base é a aprovação social em si?

Eu vou começar admitindo que às vezes passo da conta,  que é o primeiro passo. 

Solicito aos amigos que se me verem abusando, não curtam nem compartilhem, me façam ligações sem moderação e quando o isolamento acabar, tomamos um café para manter a Dopamina em dia. 

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Depressão Mista, ela pode passar despercebida

É quase a regra, alguém com tristeza persistente, perda do prazer na vida, pensamentos negativos e sem energia pode receber o diagnóstico de Depressão e ponto. A consulta costuma ser rápida, o médico tantas vezes não é especialista. Ela recebe um antidepressivo e tem início um tratamento nem sempre com bons resultados.

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Identificar que a pessoa está com Depressão é só o primeiro passo, talvez nem tão difícil, pois o próprio paciente e a família tem ideia que algo não vai bem.

O Psiquiatra, que é o especialista nas alterações do humor, consegue perceber sinais de alerta dentro de um quadro depressivo: irritabilidade intensa, impulsividade, compulsão alimentar, pensamentos acelerados e distrações constantes são sinais de um diagnóstico pouco conhecido: A Depressão Mista.

Ela tem esse nome justamente por ser uma mistura de sintomas, a perda de energia de uma depressão comum e a ativação intensa dos pensamentos e atitudes.

Por que isso é tão importante? Por um grande detalhe, a Depressão Mista responde mal, ou até piora com uso dos antidepressivos. Essas medicações podem causar melhora isolada da tristeza, mas piorar a aceleração dos pensamentos, tornar a pessoa mais irritada, impulsiva e distraída.

How to Recognize the Signs and Symptoms of Depression – Health ...

Com a impulsividade alguns problemas aparecem, gastos financeiros desnecessários, uso de drogas (principalmente álcool e cigarro), tentativas de suicídio e até colocação de piercings e tatuagens. A irritabilidade, ou raiva, gera discussões, destrói casamentos, famílias, empregos, torna a pessoa mais violenta verbal e fisicamente.

A aceleração do pensamento é igualmente angustiante, se sentir dominado pelas próprias ideias, que parecem um turbilhão de informação causam a distração, perda de produtividade e insônia.

Uma consulta minuciosa, sem pressa, que entenda a história de vida daquela pessoa, procurando sintomas que passaram batidos desde a infância e detecte os sintomas mistos pode ser a diferença entre a melhora e a manutenção do sofrimento.

O tratamento da Depressão Mista geralmente precisa de outras abordagens além dos antidepressivos e deve ser conduzido pelo Psiquiatra, que é o profissional qualificado para a estabilização desses quadros.

Ao contrário do que se pensa, Depressão tem tratamento!

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Telepsiquiatria, preservando a saúde mental em meio a Pandemia

Vacina, teste sorológico, leito de UTI, ventiladores mecânicos, de repente nossa mente foi dominada por essas palavras.

Epidemic seamless pattern. novel coronavirus covid-19, people in ...

Outras coisas também passaram a dominar a nossa mente.

Ansiedade, apreensão, medo de sair de casa, até crises de pânico estão ocorrendo em meio a uma situação inusitada: isolamento social forçado, bombardeio de notícias, falsas, ponderadas, alarmistas, negacionistas, todas misturadas. Avós separadas dos netos, filhos separados dos pais.

Enfrentar esse cenário e conservar equilíbrio emocional e manter a saúde mental fica cada dia mais difícil.

Com muita sensibilidade, dezenas de profissionais estão abordando o tema, adoramos dicas, sugestões e técnicas de como contornar a angústia que a pandemia está desencadeando.

Não é tão fácil usar aplicativos de meditação e fazer abdominais se a pessoa tem um transtorno de ansiedade, depressão ou síndrome do pânico, nesses casos medidas comportamentais e pensamento positivo não vão adiantar, é quando o tratamento profissional entra em cena.

A situação demanda posicionamento firme, assertivo e corajoso. Mais um batalhão entrou em cena, os médicos Psiquiatras.

Estima-se que na epidemia do coronavírus SARS em 2002 quase metade dos pacientes desenvolveram Transtorno de Estresse Pós Traumático. Mitigar agravos à saúde mental é, portanto, fundamental não só para alívio imediato da condição, como também para prevenir cicatrizes emocionais em toda a população.

A partir deste mês, de forma excepcional e enquanto durar a calamidade da pandemia, é possível receber atendimento psiquiátrico à distância, através de videochamadas ou chamadas telefônicas para tratamento de sintomas ou transtornos mentais.

Digital healthcare puts patients in control of their health ...

A medida vai preservar a segurança de médicos, pacientes e secretárias, pelo contato ser à distância. Pessoas que moram em cidades distantes dos grandes centros serão muito beneficiadas. Casos graves e emergências que exijam exames e intervenção presencial continuarão a ser atendidas em pronto-atendimento e serviços especializados.

Psicólogas já realizam atendimento on-line há algum tempo e com certeza também serão indispensáveis nesse momento.

Não deixe de seguir seu tratamento, se precisar de auxílio, estamos aqui.

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