Afinal, o que faz o Psiquiatra?

Muito mais que “médico de doido”, o psiquiatra atua nas alterações de humor, como tristeza e irritabilidade, do comportamento, como a impulsividade, e dos pensamentos.

Dr. Manoel Vicente  - Psiquiatra em Cuiabá

A psiquiatria ganhou essa fama, de tratar apenas pessoas com alterações graves, com quadros incapacitantes, porque por muito tempo esse era realmente o público atendido pela especialidade.

Quem tivesse situações mais leves e moderadas tinha poucas alternativas a não ser aprender a conviver com os sintomas e sofrimento durante grande parte da vida. As medicações tinham efeitos colaterais importantes, como ganho de peso e sonolência.

Desse retrato do passado, veio a imagem que alguns ainda tem do médico psiquiatra.

Da década de 90 para cá, a ciência evoluiu, a especialidade cresceu, a compreensão do ser humano só aumentou.

O tratamento com o psiquiatra não é mais sinônimo de “ficar dopado o dia inteiro”, de ganho de peso, nem de piora de qualidade de vida. Da mesma forma, o tratamento não é mais para quem está “no fundo do poço”, com depressão grave, esquizofrenia ou doenças que precisam de internação.

Não só as medicações ficaram mais modernas, aumentaram as abordagens de terapia, e surgiram tratamentos não medicamentosos, como a Estimulação Magnética Transcraniana.

Entendemos que alterações no estilo de vida, com prática de exercícios, meditação e espiritualidade podem ser transformadoras.

Isso mudou tudo. Agora o Psiquiatra deve ser visto como o médico de quem quer se sentir bem, de quem sabe que não merece conviver com sofrimento diário, de quem não está se sentindo no controle da própria vida. Você pode estar com um problema passível de melhora.

Se a sua preocupação são os efeitos colaterais, então fale sobre isso. Não quer ficar dependente de medicação? Questione o profissional. A consulta é o momento de falar e ser ouvido sem julgamentos.

Antes de tratar sintomas da mente, nós lidamos com gente. Não tenha medo, procure atendimento, o vínculo que você vai desenvolver pode iniciar uma nova fase da sua vida.

Depressão tem Tratamento!

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Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Sobre nossa mente descontínua

Presa ou predador. Seguro ou perigoso. Bom ou Mau.  

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Evoluímos sem tempo para pensar, era preciso classificar, de forma automática, rápida, simples.

Decisões em um piscar de olhos.

Você está aqui porque seu ancestral não filosofou antes de correr de uma onça.

Se ao invés de fugir ele refletisse sobre os diversos fatores envolvidos no temperamento daquele felino específico e tentasse calcular o grau de fome que ela sentia naquela tarde, ele seria o lanche do dia. 

Um local só podia ser seguro ou perigoso, outro homem era aliado ou inimigo, o meio termo mais ajudava que atrapalhava.

Estamos programados para pensar em termos absolutos, relativizar custa demasiado tempo e energia.

Tudo é isso ou aquilo, preto ou branco, sim ou não, mas a realidade não funciona assim.

O biólogo evolucionista Richard Dawkins chamou esse fenômeno de mente descontínua.

É muito abstrato enxergar o cinza, o impreciso, as etapas sutis e gradativas que transformam um neanthertalis  em um sapiens. 

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Apesar de buscarmos, não existem linhas divisórias claras em diversos aspectos do universo.

Existem gradientes contínuos, entre um ponto e outro.

A natureza odeia uma fronteira precisa, nós amamos. 

Tentar encontrar linhas divisórias o tempo todo atrapalha o entendimento de fenômenos complexos, como genética, medicina, política ou economia.

Cheios de nuances, poréns, senãos e talvezes.

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Momentos de privação ou medo, como a pandemia atual, acionam esse raciocínio simplista, límbico e emotivo.

Esse remédio é bom para tratar COVID?

Usar máscara protege contra a infecção?

Essa vacina garante que não vou adoecer?

Posso ficar totalmente despreocupado para o próximo Carnaval?

Quem faz essas perguntas não está buscando a resposta mais precisa, pois ela necessariamente será imprecisa.

O que se busca é certeza, segurança, o amparo de uma resposta exata.

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Honestidade científica sempre mantém uma margem de erro, espaço para dúvida. Situações intermediárias que só podem ser estimadas.

Por isso as fake news não partem dos ponderados.

Os predadores estão cheios de certeza, o que a ciência séria tem dificuldade em fornecer.  Se não fugir, eles te devoram.

Ouvir lados opostos, considerar informações conflitantes, refletir e pesar riscos e benefícios é o pensamento humano democrático, refinado e evoluído.

A mente descontínua é tirana, grosseira e assustada.

Como médicos, somos alvos dessas inquisições, ter certeza sobre o novo remédio, a nova técnica, o novo diagnóstico.

O tempo de recuperação, o tempo de vida, o tempo de efeito. 

Algumas coisas são mais seguras que outras, aquelas têm riscos diferentes, nada é perfeito, nem absolutamente seguro. 

Aceite o impreciso.

É desconfortável, mas é o único caminho para sermos algo além de bichos assustados, presas fáceis.

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Matéria Bem Estar sobre Estimulação Magnética Transcraniana

Matéria do Bem Estar sobre a Estimulação Magnética Transcraniana, tratamento contra a Depressão sem efeitos colaterais das quimicas medicamentosas.

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Estimulação Magnética Transcraniana – Depoimento

Matéria de grande interesse a todos que sofrem de Depressão sobre a Estimulação Magnética Transcraniana, com depoimentos de pacientes que já passaram pelo procedimento.

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A armadilha do perfeccionismo 


Quer que um projeto de vida nunca aconteça? tente faze-lo de forma perfeita.

Perfeccionismo é aquele defeito que até parece qualidade, ótimo para ser mencionado em entrevistas de emprego e a justificativa para tudo que nunca começou.

Uma armadilha ao seu potencial. 

Sempre que um paciente se incomoda sobre estar procrastinando planos de sua vida, ao contrário de uma esperada falta de iniciativa e energia, o que encontro é a busca pela perfeição.

Se não for para ficar perfeito, melhor nem fazer. E nunca será feito.

A brilhante escritora Brené Brown, cujos livros recomendo, interpreta o perfeccionismo como um escudo, uma tentativa de se proteger contra a vergonha e julgamento alheio e de si próprio.

No núcleo do perfeccionista não existe o esforço pela excelência, existe o medo de exposição.

No fim, o perfeccionismo é um movimento defensivo.

Acumuladores de responsabilidades no trabalho e estudantes ansiosos com as notas bimestrais.

Na busca pela meta inatingível, em que todos os desfechos sejam planejados e que fatores aleatórios estejam sob controle, só se encontra frustração, esgotamento e autopunição.

A Síndrome de Burnout, que recentemente foi promovida à categoria de diagnóstico médico, é basicamente a estafa, o esgotamento pelo trabalho. Assim como o consumo excessivo de açúcar leva ao diabetes, a busca exagerada por ser perfeito, leva ao Burnout. 

O guia do crescimento pessoal é a pergunta constante “Como posso melhorar?”.

Quando uma atividade é orientada à performance, avaliação e notas, muda-se o foco para “O que eles vão pensar?”.

A pessoa deixa de ter valor por si própria e passa a ter o valor determinado pelo o que realiza e quão bem o faz.

Esse é o perfeccionista que você conhece, que francamente, todos somos em algum grau.

Existe o outro perfeccionista, que infelizmente, você talvez nunca tenha ouvido falar. 

Ideias que nunca foram ditas em voz alta e livros que nunca foram escritos, quem se convenceu que a execução de qualquer projeto deve ser impecável, termina nunca seguindo suas inspirações.

As idéias mirabolantes, mas potencialmente transformadoras, nunca saem do papel.

O escudo do perfeccionismo mata a capacidade de ousar, de fazer diferente, e com isso todos perdemos.

Lamento especialmente pelos artistas que nunca conhecemos.

Experimentar uma avaliação negativa, e ela ressoa bem mais forte que as positivas, não é fruto de não ter sido falho, imperfeito ou insuficiente. É fruto de estar fazendo algo inovador, de se expor, de se permitir ouvir a opinião alheia. 

A ida do homem à Lua não inspira pela perfeição, é pela ousadia.

Os encontros que transformaram sua vida não foram planejados.

A maior oportunidade de negócio surgiu fora da linha reta.

As conversas mais significativas só acontecem quando se mostra falhas e vulnerabilidades.

Perfeccionismo é um raciocínio emocionalmente autodestrutivo, que nunca moveu o mundo e não é fonte de satisfação pessoal.

Recepcione a imperfeição alheia, critique menos quem falhou, elogie a inovação, por menor que seja.

Quando ver alguém caindo, sorria e compartilhe a história da sua queda. 

Melhor feito do que não feito.

Delegue aquilo que te sobrecarrega, menos foco na nota e mais importância ao seu crescimento pessoal.

Ouse ser diferente e inovar.

Sua imperfeição é inspiradora.

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A Intenção por trás do Ódio

Um grande mestre da psicanálise me contou: Quando Pedro me fala de João, sei mais de Pedro do que de João.

Existem camadas e intenções nas entrelinhas dos jurados do tribunal da Internet.

Falas e ações públicas são um prisma, com superfícies lapidadas e arestas esmeradas, feitas para serem vistas, mas com luz e no ângulo certo, você enxerga o que está escondido e o branco se revela cheio de cores.

As opiniões cruas e francas não são expostas ao sol, às vezes elas estão fora de moda e opacas. 

O discurso de ódio, o ódio do bem, o ódio justiceiro, “apenas contra quem merece” é a camuflagem perfeita para quem quer se vender como desconstruído, moderno e livre de preconceitos.

É a sinalização de virtudes que não podem ser vangloriadas em voz alta. 

Soa soberbo e sem sal gritar, “Eu sou tolerante, respeito a todos!”, “Eu nunca ofendo ninguém!”, “Olhem pra mim, eu sou uma ótima pessoa!”.

Não cai bem, e de que adianta mencionar que você está só fazendo sua obrigação? 

Algumas pitadas de ódio justiceiro melhoram o sabor dessas afirmações.

Ao declarar o alvo de um cancelamento digital, você se posiciona do lado oposto ao “cidadão de mal” que, sabendo ou não, falou ou fez o que você julga errado.

Antagonismo simples, que nosso cérebro bípede assimila sem raciocinar. Censurando ao outro, eu me promovo.

Pessoas que nunca se comprometeram em determinadas pautas identitárias, como o combate à xenofobia ou racismo, se tornam engajadas do dia para noite.

Nunca aplicaram o que brandam na vida pessoal, nunca abriram um livro sobre o assunto e se tornaram referências.

Não tem diploma, mas tem o selo da lacração.

Monetizam em cima disso, ganham dinheiro pelas suas curtidas e constroem uma marca pessoal.

Empresas também surfam nessa onda, da fabricantes de cerveja ao seu banco, todos querem uma lasca do ódio do momento.

Notas de repúdio, selos de luta na foto de perfil, um trocadilho espinhoso.

De forma arquitetada, você passa a enxergar aquela marca com mais valores e princípios e se identifica.

Nunca promoveram a contratação dos grupos que você defende, jamais repensam a cultura corporativa que gera desigualdade e esgotamento em seus funcionários, mas estão ali, do seu lado contra o inimigo em comum.

Aplique esse mesmo olhar aos seus políticos mais adorados. Pois é. 

Isso era inevitável às relações digitais, que carecem da espontaneidade da vida offline, e é justamente isso que a cultura do cancelamento está matando.

Se é proibido errar, é perigoso ser autêntico.

Escolha as palavras, suprima opiniões, se você ainda não está alinhado, melhor ficar em silêncio. 

Respeito e apoio diversos movimentos importantes que nos fizeram avançar socialmente, sem eles não estaria aqui.

Que continuem, que brandem, mas exponham atitudes reprováveis de uma forma construtiva e estratégica.

Desconstruir tem menos efeito prático que ir lá e fazer o bem. 

A crítica eterna, a exclusão, a porrada verbal gera antipatia, afasta os que não conhecem o que você defende.

Quem só ataca, não defende nada. 

Antes da emoção subir à cabeça, se indignar, pense, qual a intenção de quem está compartilhando isso? Eu conheço ações efetivas dessa marca ou pessoa que promovam o que acredito?

A adrenalina da revolução pelo celular contagia, é viciante e eles sabem disso. 

Para fugir desse ciclo de forma prática, para cada comentário negativo que fizer, escreva dois elogiando boas ações, digitais ou não.

Promova duas vezes mais o seu pensamento do que o oposto.

A gratidão vai repercutir menos que a crítica, mas vale a pena. 

E se tiver dificuldade de encontrar o dobro de ações louváveis do que reprováveis, diminua as postagens de ódio ou faça você mesmo algo que valha a pena ser compartilhado. 


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Do nada ao todo, a mente existe no corpo

Falta de ar, dor no peito, angústia, desespero, mal estar insuportável. Ajuda. Pronto socorro. Triagem, pressão normal, respiração normal, sem febre. Exames, espera, todos normais. Não foi um infarto, não era um derrame, não tem pneumonia, ufa.

How Anxiety and Panic Attacks Differ

A senhora não tem nada, teve uma crise de nada causada por coisa alguma. Pode voltar para casa e até amanhã.

Crises de ansiedade, episódios depressivos e outros diagnósticos psiquiátricos ainda são enxergados como “nada”.

Um sintoma inventado, fruto de quem pensou errado, está fazendo corpo mole ou tem a “mente fraca”.

Na Grécia Antiga, Platão já estruturava modelos que separavam o corpo físico das funções cognitivas e comportamentais do ser humano, na modernidade, René Descartes reforçou o dualismo corpo e mente.

Essa visão ainda tem profundo impacto na forma que nos enxergamos e influencia o entendimento das doenças psiquiátricas.

A mente é entendida como entidade separada do corpo, a figura ativa, o piloto das maquinarias anatômicas.

Divertida Mente – Oficina de Valores

A mente passa a existir em um plano metafísico, intangível, relacionado mais a regras de caráter, índole, fé e força de vontade do que às leis químicas e alterações biológicas do físico.   

Se não pode ser enxergada, suas manifestações não são nada. 

O corpo, por outro lado, é entidade passiva, despida de vontade, portanto um adoecimento que envolva braços, pulmões ou intestinos, é reconhecido, respeitado e o doente tratado como tal.

Você não tem culpa do que acontece com seu corpo, mas é o responsável direto pelo funcionamento da sua mente.

How to Stop a Panic Attack Before Things Get Really Bad

Ocorre que tal visão, apesar de intuitiva à nós, ocidentais, não tem nenhuma sustentação na ciência contemporânea.

A mente é um dos produtos do nosso corpo.

Como tudo que é difícil de entender, parece mágica, e pode até ser, mas esse milagre diário ocorre a partir do nosso funcionamento cerebral e fisiológico.

O próprio uso do termo “doenças mentais” é bastante problemático.

Quadros infecciosos, ginecológicos, cardiológicos, e todos os outros estão protegidos no guarda chuva das “doenças físicas”, que você, sua mãe e seus filhos eventualmente podem ter.

Do lado oposto, exposto às intempéries da subjetividade, estão as doenças mentais, que você e sua família, pessoas corretas e virtuosas, certamente nunca sofrerão. 

A mudança do termo “doença mental”, para doença psiquiátrica, ou mesmo doença cerebral psiquiátrica parece ser um passo razoável na direção de integrar as alterações de humor e comportamento ao universo mais neutro da saúde como um todo. 

Uma visão mais biológica em hipótese alguma se contrapõe às correntes revolucionárias de humanização, abordagem multidisciplinar e inserção social que são altamente efetivas e transformadoras.

Quem estuda o corpo humano a fundo percebe que interações sociais, alimentação saudável e psicoterapia, por exemplo, alteram objetivamente nossa fisiologia no caminho do bem estar. 

Researchers reveal how to boost brain power

Com esse tom, entendo que ficamos mais próximos de mudanças efetivas. Trazemos a distante saúde mental mais próxima da saúde.

Que as doenças psiquiátricas sejam estudadas nas escolas como se estuda dengue e infecções sexualmente transmissíveis.

A negligência por serviços de emergência em atender uma crise suicida deve gerar a mesma responsabilização legal que negar atendimento a uma crise de asma. 

O diagnóstico médico de “você não tem nada” não pode ser normalizado pela ignorância na compreensão de um dos sistemas mais importantes do organismo.

De batimentos cardíacos ao ciclo menstrual, a regulação emocional influencia seu corpo inteiro. 

Menos dualismo, mais integração.

Healthy Lifestyle Tips That Can Lead to Happiness | Best Health Canada

Você é a sua mente, você é o seu corpo, você é o todo e ninguém sofre por nada.

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O ministério da saúde não adverte

Feito para te viciar, é uma forma de ocupar as mãos, deixa pessoas tímidas mais confortáveis, um companheiro para os momentos de solidão que cabe no seu bolso, poderia estar descrevendo um maço de cigarros, mas esse é o seu aparelho celular. 

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Designers são velhos aliados da indústria do tabaco, desenham um produto que pareça elegante, sabores diferentes tornam fumaça mais palatável, versões mais finas e com o rótulo “light” parecem mais seguras.

A indústria quer fumantes e continuam pensando em como atrair novos usuários.

Da mesma forma, aplicativos de smartphones são milimetricamente desenhados para te viciar.

Do outro lado da tela existem centenas de programadores com um único objetivo: captar sua atenção.

Uma vibração ou alerta desperta a expectativa de recompensa, um trago que te prende em um fluxo de informações desnecessárias, enquanto capturam seus dados para retroalimentar o ciclo.

Disfarçados de ferramenta útil, aplicativos podem dominar seu tempo e te distanciar de fontes de prazer valorosas. Para quem está preso no ciclo de olhar a tela a cada minuto, se desconectar induz abstinência.

Você se torna, literalmente, um usuário. Com login e senha. 

Dopamine taking over our Imaan

O tabagismo também é estimulado pela ansiedade social, é um fator que dificulta inclusive os que querem abandonar o fumo.

Em festas ou reuniões, fumantes se descrevem desajustados, sem saber o que fazer com as mãos se não tiverem um cigarro ao alcance.

Hoje, recorreremos facilmente às telas.

Não existe desajuste social em mexer no celular sozinho, assuntos intensos e desconfortáveis são apaziguados em checagens repetidas às notificações.

Se todos conversam em uma mesa, você não precisa interagir, abra seu feed que está tudo bem. 

5 Ways to Break Your Addiction to Your Mobile Phone | The Ranch TN

Como uma profecia autocumprida, o desconforto com interações induzem um hábito que mina ainda mais o estabelecimento de vínculo, intimidade e traquejo social. 

Solidão também estimula ambos os vícios, morar sozinho é um fator de risco para diversas dependências. O cigarro é descrito como um companheiro. Um celular conquista com a falsa sensação de conexões reais. 

Crianças que competem demais com as telas dos pais acabam ganhando uma para ficarem no silencioso.

5 Simple Tips to Stop Mobile Phone Addiction in Children

Nós levamos celulares para a cama e, como consequência, nunca dormimos tão mal.

Assistir um filme completo sem acessar redes sociais parece um sacrifício.

Eles estão na mesa de jantar, entre uma garfada e outra, só aquela conferida, por que não?

Os mais modernos estudos em dependências apontam que o que determina a gravidade e os prejuízos do quadro não é a droga em si, mas a relação estabelecida com ela.

Alguém que tenha outras fontes de prazer, consegue, com mais facilidade, se afastar do hábito ou substância.

O problema é que pessoas, livros e boas músicas não tem feeds, desenhados especificamente para te agradar, te curtir, nem recebem atualizações semanais para se tornarem mais viciantes. 

Celulares, por sorte, não causam câncer, mas podem te distanciar do que realmente importa para você. Isso o ministério da saúde não adverte. 

Não se deixar levar pelo fluxo viciante e uso compulsivo de celulares é um esforço ativo, exige que você nade contra a maré. 

Criar cômodos sem celulares na casa, horários para se desconectar e silenciar todas as notificações possíveis é um ótimo caminho para começar.

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E se você está lendo esse texto em sua tela de bolso, sem neuras, mas modere o uso, se afaste do próximo trago.

Pare, olhe ao redor, converse com quem estiver por perto.

Faz um dia lindo lá fora

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Janeiro Branco, saúde mental é sobre autocuidado

Possibilidades. Recomeço. Deixar o que deve ficar para trás. Janeiro é uma referência ao deus grego Jano, que representa transições e mudanças.

O ano tem sido colorido para destacar campanhas relevantes na área da saúde, e aproveitando a simbologia do mês, criou-se o Janeiro Branco, mês de conscientização sobre a saúde mental.

Uma folha em branco é um universo de possibilidades, se desenha um sol amarelo ou, com algumas retas, um castelo. A metáfora é sobre construir, edificar um estilo de vida que tenha a saúde mental no seu alicerce.

A campanha do Janeiro Branco é recente, surgiu em 2014, capitaneada por profissionais da psicologia, e é um movimento nacional que tem ganhado espaço a cada ano. 

Ao contrário do Setembro Amarelo, cujo foco é o suicidio, o fim trágico de um adoecimento mental, aqui falamos sobre atitudes positivas, que assimiladas à rotina, levam ao bem estar e te protegem de adversidades.

Estou falando do cultivo de hábitos e relações que te engrandeçam, aliviam o estresse do mundo externo, te fazem sorrir e repensar aqueles que levam ao sofrimento.

O grande trunfo é que nossa mente é equipada de uma ótima bússola que aponta ao que faz bem.

Praticar exercício físico é indispensável a uma saúde duradoura, mas qual te trás mais saúde mental? Relações afetivas também são essenciais, mas essas que você tem cultivado, valem a pena? Afinal, o que você gosta de fazer? Ninguém, além de você consegue responder.

Você foi à academia porque disseram que era bom, comeu salada porque o médico mandou, trabalha porque precisa do salário, se casou porque teve filhos, cuida dos filhos porque eles não se cuidam sozinhos.

Cumprindo o burocraticamente papel de mãe, advogada, esposa, filha, irmã, dona de casa, em algum momento Maria deixa de ser Maria. Espremida pelo o que entende como obrigações, não resta nada que realmente queira fazer.

Como um castelo de cartas, uma vida sem tempo para si, sem lazer e sem relações empáticas, desmorona ao primeiro sopro. 

Como o tempo é essa coisa inelástica, será essencial fazer o que deve ser feito da forma que te faça bem.

O melhor exercício é o que você mais gosta de fazer, sem vergonha de pular corda ou dançar axé. Relações familiares e amorosas são importantes, mas relacionamentos abusivos intoxicam e vão te anular, existem outras pessoas por aí. Busque faculdades ou empregos que realmente te inspirem, um salário que existe às custas do seu bem estar cobrará uma rescisão amarga.

São atos de autocuidado, e todo cuidado conta, mas isso só acontece com autoconhecimento.

Às vezes a bússola aponta a direção, mas enxergar o caminho até lá é o mais difícil. Entender quem se é, é complexo, perceber como ser outra coisa, mais ainda. Por sorte, você não precisa fazer isso sozinho. 

Os profissionais da saúde mental te ajudam a se enxergar, se aceitar e mudar, se preciso for. 

Cuide de você, e se precisar, nós, psiquiatras e psicológos, estaremos aqui de Janeiro a Janeiro.

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As 256 Depressões

Hoje quero compartilhar um drama dos que escutam dramas. Psiquiatras ainda lutam por um norte na definição de sintomas do mal do século, a depressão.

É relativamente fácil reconhecer algumas doenças, seja caxumba, tuberculose, vitiligo ou osteoporose.

O que não aparece prontamente aos olhos, se mostra em exames simples.

How to Write a Medical Diagnosis: 8 Steps (with Pictures)

Catapora gera as mesmas lesões em qualquer pessoa, diabetes sempre aumenta os níveis da glicose. 

Doenças com mecanismos patológicos conhecidos e que causam um conjunto definido de sintomas são mais fáceis de entender e tem um tratamento mais preciso.  

O processo de diagnóstico na psiquiatria, no entanto, pode ser completamente diferente de outras especialidades.

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Ao invés de analisar um exame de sangue, um teste objetivo ou uma tomografia, nós escutamos as alterações dos pensamentos, humor, comportamentos e outros aspectos da mente.

Se alguém tem um determinado conjunto de sintomas e se eles não são causados por uma alteração hormonal ou neurológica, é feito um diagnóstico psiquiátrico. 

Alguns guias organizam, um a um, os sintomas possíveis para os diferentes quadros, a maior referência mundial é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).Para ser diagnosticada com o que chamamos depressão maior, ou apenas depressão, a pessoa precisa de dois sintomas principais – tristeza e/ou perda do prazer – associado a pelo menos cinco sintomas acessórios – perda ou ganho de peso, insônia ou sono aumentado, apatia ou agitação, perda da energia, sensação de culpa, perda de concentração, dificuldade na tomada de decisões e pensamentos de morte ou suicídio.

Oras, que doença é essa que pode causar  tanto apatia, quanto agitação? Ganho ou perda de peso? Sintomas antagônicos provavelmente são causados por alterações fisiológicas diferentes no corpo de cada pessoa. 

Outro problema, o mesmo sintoma pode ter uma origem totalmente diferente.

Dor de cabeça acontece na enxaqueca e na miopia sem tratamento. Náuseas aparecem na gravidez e na intoxicação alimentar.

Julgar somente pelos sintomas pode levar ao erro.

CCHR: saiba a verdade que os psiquiatras não querem que você saiba

Pedindo uma mãozinha das exatas, calculamos nada menos do que 256 formas diferentes de se ter depressão, se considerarmos todos os subtipos possíveis, esse número passa de 10 mil.

Apresentações absurdamente diferentes para o mesmo diagnóstico.

Estabelecer um tratamento preciso é quase impossível quando temos uma definição tão imprecisa.

Ocorrem deficiências na produção de neurotransmissores, nas estruturas dos neurônios, na regulação de hormônios como o cortisol e inúmeras outras alterações ainda desconhecidas que podem culminar nos sintomas que agrupamos no guarda chuva da depressão.

Isso explica porque parte da psiquiatria ainda existe na tentativa e erro, experimentação, observação da reação às medicações prescritas.

É um caminho potencialmente difícil de ser percorrido, mas com insistência e um profissional qualificado, atinge ótimos resultados. 

Muito melhores que no passado, espero que melhores ainda no futuro. 

O futuro, na verdade, já se revela no horizonte.

As classificações devem abandonar os conceitos sintomáticos e focar nas variações genéticas e alterações metabólicas que geram cada quadro. 

Hoje, testes genéticos de causas específicas de depressão já são acessíveis.

Psychiatric Genetics Program | McGovern Medical School

Mais refinamento e precisão biológica do que jamais visto. 

E eis a minha resposta à fatídica pergunta: “mas eu vou usar esse remédio para o resto da vida?”,  o resto da vida é muito tempo, em alguns anos você muda, os paradigmas se atualizam, seu diagnóstico pode ser outro.

A melhor postura é viver o agora, aproveitar o que temos para hoje e se apegar à sua melhora.

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A inesperada saúde mental dos idosos

Essa semana completamos nove meses desde a declaração oficial da pandemia de COVID-19 pela Organização Mundial de Saúde.

Com a tendência atual de novo aumento dos casos, a situação de isolamento social está longe de ser superada.

Respect older people's rights when exiting the COVID-19 pandemic | European  Union Agency for Fundamental Rights

Desde o começo, a medida mais urgente foi evitar o contato próximo com nossos pais, mães e avós.

Por amor e cuidado, apoiamos o distanciamento e uma pergunta surgiu: como ficará a saúde mental de idosos em isolamento?

Múltiplos levantamentos têm surgido e surpreendem, idosos parecem estar lidando muito melhor do que outras faixas etárias com a situação. Fisicamente mais vulneráveis, mentalmente mais resilientes. 

Um levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano com mais de 5400 indivíduos, indicou que idosos apresentaram índices significativamente menores de ansiedade, depressão e uso de substâncias iniciados na pandemia.

Essa tendência foi acompanhada por estudos de países diversos, como China, Espanha e Canadá. 

Encouraging older adults to stay active and safe during the coronavirus  pandemic | NCOA

Falta de contato social, risco de infecção grave, dificuldade em usar dispositivos eletrônicos, com tantas fontes de estresse, os achados são no mínimo contra intuitivos. 

É que ninguém contava com um fator de proteção: a sabedoria desenvolvida com a idade.

Não me refiro à quantidade de conhecimento sobre determinado assunto, mas à capacidade de empatia e compaixão, equilíbrio emocional, habilidade de auto reflexão e aceitação de incertezas. 

Deixar as barbas de molho, se resignar frente ao que não pode ser mudado e conviver bem com a própria companhia parecem fazer tão bem para a mente quanto máscaras fazem ao pulmão. 

Precisamente esses traços foram  avaliados e são o maior fator de proteção contra a solidão de um isolamento prolongado.

Idosos sem graves limitações de saúde os tem de sobra. 

Quanto às interações sociais, qualidade é mais importante que quantidade.

Cheerful senior woman making a video call | premium image by rawpixel.com /  McKinsey | Women talk, Make a video, Senior adults

Os que mantiveram videochamadas ou encontros físicos com medida de proteção com uma ou duas pessoas importantes, também se mantiveram protegidos.

Aquela ligação semanal ao seu ente querido realmente faz a diferença. 

A sensação de estar conectado, de pertencimento a algo maior é um conhecido protetor contra adoecimento mental.

Na pandemia, o próprio ato de se isolar adquire o patamar de atitude coletiva.

Quem fica em casa, está cuidando do outro, e isso é poderoso. 

Social isolation: The COVID-19 pandemic's hidden health risk for older  adults, and how to manage it

Enquanto esperamos as vacinas, podemos assimilar um pouco dessa sabedoria.

Aceitar o que não pode ser mudado e valorizar relações interpessoais, pois elas nos sustentam. 

Acima de tudo, não esquecer que estamos nessa juntos, nos isolando, se possível, e nos cuidando sempre.

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