Cuidar dos profissionais da saúde salva vidas

Com o afastamento de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas contaminados pelo novo coronavírus, fomos lembrados de um chocante fato: profissionais da saúde são feitos de carne e osso e também adoecem.

Um médico doente contaminando pacientes seria inimaginável.  

E aqui vai outro fato, por vezes ignorado: esses trabalhadores também têm emoções, precisam cuidar da saúde mental e às vezes ficam deprimidos e fragilizados em seu cotidiano forte. 

Muito antes da pandemia, isso já era realidade.

Levantamentos apontam sintomas de depressão e ansiedade em mais de um terço da categoria, que também têm risco significativamente aumentado de suicídio. 

Esse cenário se relaciona com outra causa crescente de mortalidade: a que ocorre em decorrência de cuidados hospitalares. 

A última divulgação do Instituto de Estudos sobre Saúde Suplementar, que avalia as ocorrências no Brasil, revelou que em um ano mais de 50 mil pessoas faleceram por complicações de procedimentos como colocação de cateteres ou cirurgias.

A maioria por erro ou má habilidade de quem realizou.

São seis vítimas por hora. 

Assim como um profissional infectado prejudicaria pacientes de forma inaceitável, um médico, enfermeiro ou técnico de enfermagem com a saúde mental comprometida também se torna risco ao paciente.

Comete mais erros diagnósticos, mais lesões cirúrgicas e falhas por desatenção.

Um médico com depressão não tratada tem 95% mais chance de cometer erros potencialmente fatais, segundo a Associação Médica Americana. Isso mostra que o assunto não é preocupação apenas dos profissionais, mas caso de saúde pública. 

Zelar pelo emocional do elemento humano certamente salva vidas e melhora a eficiência dos investimentos em saúde. 

Assim como queremos máscaras, luvas e equipamentos de proteção que previnam o adoecimento físico dos nossos cuidadores, também são urgentes ações efetivas de prevenção de adoecimento mental. 

Melhorar vínculos empregatícios seria um dos remédios com impacto positivo. 

Ainda que vinculados a instituições públicas ou privadas (e muitas fazem questão de negar relação empregatícia), a remuneração em regime de plantões imputa a pressão como a de um trabalhador autônomo – “Se você adoecer, ficará sem salário”. 

Como resultado, mesmo adoecidos, a maioria continua atendendo pacientes.

Essa situação ainda pressiona o profissional a atuar em diversos hospitais, fazer cargas horárias supra fisiológicas a espécie humana (24 ou 36 horas contínuas de plantão), sem tempo para lazer, sem tempo para descanso, sem tempo para viver. 

São pessoas que não se acovardam ao atender de quem precisa, mas acabam deixando de lado seu próprio bem estar.

Aproveitando as lições da pandemia, vamos assimilar que a prevenção tem muito mais efeito que tratar um problema instalado. 

Esperar a infeção, esperar a depressão, a estafa mental, a crise de ansiedade ou adoecimento para cuidar de quem cuida é o caminho que leva inevitavelmente ao erro.

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Mensagem aos Futuros Médicos

Fiz essa apresentação para os calouros da Universidade Federal de Mato Grosso, faculdade onde fiz minha graduação.

É a mensagem que tenho para todos estudantes, médicos, médicas que conheço, inclusive os que são meus pacientes.


Espero que isso ajude a criar uma jornada com bem estar, satisfação, e saúde mental!

Se precisar de ajuda, procure um profissional!

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Sua mascára está te sufocando?

Acordar, banho, colocar a máscara, trabalho, bom dia, boa tarde, boa noite, tirar a máscara, dormir.  Mais um dia, colocar a máscara, repetir, tirar a máscara, dormir.             

Está cansado? É normal, é comum, é o esperado.             

Cansa mesmo, carregar uma máscara impede que vejam seu rosto, não deixa sua voz ser ouvida. A gente até esquece como era sorrir quando não precisava dela.             

Muito mais que a máscara de tecido, a máscara social não protege, sufoca.            

Fingir que está tudo bem, vestir um sorriso falso, contatos sociais sem sentido e relações tóxicas já eram o decreto em muitas repartições, empresas, famílias e casais.             

Eu, como psiquiatra, sempre deixei claro que tirar a máscara é permitido, pode ser assustador, você se sente exposto, desprotegido, mas é um grande passo para ficar bem. 

O processo de melhorar passa pela admissão, para você mesmo, que aquela fachada é falsa, esconder, nesse caso, só deixa o problema maior e te deixa longe de um progresso.   

“Nao Posso Respirar”              

Última frase dita antes do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos por um policial, desencadeou a mais recente onda de protestos da população negra, que não aguenta mais ser sufocada diariamente.             

Racismo é uma doença que já devia ter sido curada. Preconceito estrutural não tampa só a boca, anula o sofrimento, estrangula o crescimento econômico e amarra o desenvolvimento social de uma parcela da população. Sou branco, nunca passei por isso, nunca vivi as insidiosas, lentas e silenciosas microagressões racistas que contaminam nossas interações. 

Nunca fui seguido por seguranças, ninguém ficou surpreso com alguma conquista acadêmica ou intelectual e minha aparência nunca me prejudicou em entrevistas de emprego. 

Se quiser fingir que nada disso tem a ver com minha cor, eu entro nessa dinâmica cínica e disfuncional de acreditar que as oportunidades são iguais, que o mérito é todo meu e com esforço todos terão as mesmas oportunidades.  

A sociedade veste essa falsa máscara de igualitária e inocente.

Eu, como cidadão, quero ajudar a tirar essa fachada que acoberta o racismo no trabalho, na família ou em casa. Espero que as manifestações atuais toquem nessa ferida não cicatrizada e exponham nossa verdadeira face. 

Temos medo do que tem por baixo, mas é o primeiro passo para a melhora e se esconder não é uma opção. 

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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