30 de março, Dia Mundial da Bipolaridade

Todo ano, em 30 de março, é promovido o Dia Mundial da Bipolaridade.

A data remete ao nascimento do incomparável Vincent Van Gogh, que recebeu o diagnóstico póstumo de transtorno afetivo bipolar. 

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Se tivéssemos um dia para cada diagnóstico médico, precisaríamos rever o calendário para comportar mais alguns meses.

Campanhas de conscientização são criadas para iluminar debates e conceitos que não são bem conhecidos na sociedade. 

Divulgar ao público leigo o conhecimento moderno sobre a bipolaridade é, seguramente, uma das ações mais necessárias na promoção da saúde mental nesse momento. 

Mais de 5% da população pode ter o diagnóstico e ele aumenta o risco de suicidio em quase 30 vezes, assim perdemos Van Gogh.

Campanhas como o Setembro Amarelo e as diversas reportagens sobre depressão na mídia, não fazem sentido sem abordar esse tema. 

O termo Transtorno Afetivo Bipolar, de certa forma, está desatualizado com as recentes descobertas e deve passar por uma revisão. 

O “afetivo” indica que o afeto, o tom emocional, é a função mais afetada pela doença. 

Bipolar projeta a ideia de dois pólos de humor, distintos e antagônicos, o da depressão e o da euforia, também chamada de mania.

Quem oscilar entre esses dois extremos de humor, recebe o diagnóstico de transtorno afetivo bipolar.

Uma depressão sem seu polo oposto de euforia, é referida como depressão unipolar, que é monotônica, tipicamente melancólica e triste.

What People Get Wrong About Bipolar Disorder | NAMI: National Alliance on  Mental Illness

Essa separação, infelizmente, não faz jus à complexidade do nosso cérebro. Uma circuitaria química e biológica elaborada que não funciona em preto e branco. Sim ou Não. Um ou outro.

Bipolar ou unipolar. Essa visão categórica é artificial, mas foi a base da elaboração de livros e estudos no século XX e ainda exerce grande influência na prática dos profissionais de saúde.

Bipolar Disorder

Da mesma forma que estudiosos do autismo atualizaram o termo para Transtorno do Espectro Autista, cresce o reconhecimento do Transtorno do Espectro Bipolar, que enxerga as diferentes condições de quadros mais sutis de bipolaridade.

A variação afetiva, inclusive, não parece ser a alteração mais importante, mas sim a mudança de estados de energia e disposição.

Inquietação física, direção arriscada no trânsito, impulsividade com gastos excessivos, compulsão alimentar ou a alternância de períodos de esgotamento e cansaço e outros de energia e criatividade podem indicar um quadro de bipolaridade.

Outro ponto essencial, o Transtorno do Espectro Bipolar é uma doença majoritariamente depressiva.

Então qualquer pessoa que já sofreu de depressão, pode ter um quadro bipolar que nunca foi ponderado.

Se o diagnóstico mudar, o tratamento também é outro.

As terapias e medicações que funcionam na depressão comum, pioram ou não tem resposta na bipolaridade.

Genius of Van Gogh — Master of Impasto: Sunflowers Series, 1888–1889 | by  Kevin Shau | Medium

Por isso, qualquer medida efetiva de prevenção ao suicídio e tratamento da depressão passa pelo conhecimento do Transtorno do Espectro Bipolar.

Para que tenhamos mais girassóis amarelos e noites estreladas, vamos falar sobre bipolaridade.

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Publicado por

Manoel Vicente de Barros

Médico Psiquiatra em Cuiabá - Mato Grosso / Medicina pela Universidade Federal de Mato Groso (UFMT) / Aperfeiçoamento em Psicogeriatria pela USP / Observership em Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr) na Toronto University no Canadá / Instagram: @dr.manoelvicente / Facebook: dr.manoelvicente

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