Os pilares do bem estar

Diz a parábola que dois homens edificaram suas casas, o imprudente a construiu sobre a areia, o sábio, sobre a rocha.

A mesma tempestade atingiu os dois e, como profetizado, apenas a que tinha um firme alicerce sobreviveu.

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Enxergue a construção da sua saúde da mesma forma.

É possível acreditar que estar saudável é a ausência de doenças.

Se o médico não disse que estou morrendo, as medicações controlam os sintomas, logo estou bem, não tenho que investir em mais nada. Essa é a fundação sobre a areia. 

Uma saúde alicerçada apenas no delicado efeito de medicações, sejam para pressão alta, colesterol ou depressão, está fadada a uma instabilização quando os ventos soprarem mais forte.

Efeitos químicos de medicações oscilam, você envelhece, e buscar a alquimia perfeita para um corpo em equilíbrio contínuo ainda não está ao alcance da medicina. 

Quando médicos recomendam hábitos de vida como prática de exercício ou alimentação balanceada, não estão te punindo por estar doente e não fazemos porque gostamos de dar conselhos na vida alheia.

É pela percepção que o plano arquitetônico da sua vida pode ter contribuído para esse estado de adoecimento.

Imagine o remédio como um primeiro pilar da saúde, a caminhada, o segundo, o lazer em família, outro.

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Um apoio único trás uma sustentação frágil, três, quatro, cinco conseguem te segurar, mesmo que um falhe.

Na saúde mental vale a mesma lógica. Durante a pandemia atendi dezenas de pessoas adoecidas que pela primeira vez vieram ao psiquiatra.

Nunca deprimiram antes, não tinham tendência familiar ao sofrimento mental, inclusive estavam “ótimas” na era pré-covid.

Elas foram atingidas por uma tempestade e ficaram sem sustentação.

De uma hora para outra, perderam contato com amigos, o emprego mudou, não podiam ir a bares, a igreja fechou. Perderam o chão, o teto caiu, elas desabaram.

Quem continuou de pé o fez pois tinha pontos de apoio que permaneceram, harmonia em casa, lazer nos pequenos hábitos ou psicoterapia, por exemplo. 

Esse é o mecanismo da maior parte dos adoecimentos. Pender sua saúde no limite do tolerável, falhar em perceber que quando você se sente bem é o momento ideal para se sentir melhor ainda.

Nos dias de sol é que se corrigem as rachaduras.

Quando as dores nas costas melhoram com os analgésicos, a fisioterapia tem mais efeito, depois é hora de fortalecer na academia, de carregar as compras do jeito correto e finalmente perder o peso que pressiona a coluna para o ciclo ter fim. 

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Degrau a degrau, bloco a bloco você constrói a saúde em sua rotina. 

Além das atividades que equilibram o corpo, se integrar à quem está ao seu redor é indispensável, somos seres sociais.

Cultivar um relacionamento de confiança com o marido, harmonia entre a família e ajuda mútua entre amigos.

Esses são recursos sociais que estarão lá para te ouvir, te abraçar e nenhum profissional substitui esse papel. 

Então faça uma vistoria, alguns hábitos podem precisar de reforma e dedique tempo no acabamento das suas relações com os outros.

Se você já se sentiu desabando, aprenda algo com a experiência e se edifique sob bases mais sólidas, valorosas e saudáveis que da última vez. 

Repetir tudo de novo, leva aos mesmos resultados e você quer estar preparado para a próxima tempestade.

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

https://www.instagram.com/dr.manoelvicente/

https://www.ipec.med.br/

Publicado por

Manoel Vicente de Barros

Médico Psiquiatra em Cuiabá - Mato Grosso / Medicina pela Universidade Federal de Mato Groso (UFMT) / Aperfeiçoamento em Psicogeriatria pela USP / Observership em Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr) na Toronto University no Canadá / Instagram: @dr.manoelvicente / Facebook: dr.manoelvicente

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