Setembro Amarelo: Vamos falar sobre o que salva vidas


O Setembro Amarelo é a campanha de prevenção ao suicidio, mas ainda falamos pouco sobre o que realmente consegue evitar esse desfecho, o tratamento profissional. 

O conteúdo em redes sociais e veículos profissionais foca em empatia, entender o outro, estender a mão e outras variações.

Isso é ótimo, claro, precisamos desses valores e eles são o primeiro passo para agir, mas são só isso mesmo, o primeiro passo. 

A discussão sobre acesso a tratamento fica de fora e predominam dicas e conselhos de como ser feliz e cuidar da mente. 

Oras, quem consegue ficar bem por esforço próprio não está gravemente doente e não deve tentar suicidio em um futuro próximo. 

Suicídio não é um evento aleatório, inevitável, quase acidental, ele é resultado de doenças que não conseguimos tratar antes. Por isso é uma causa evitável de morte.

Como um prédio que acumula ferrugem por anos, acumular sofrimento, dor emocional e ter uma depressão não tratada corrói as estruturas internas de qualquer pessoa.

O suícídio é o colapso, o desmoronamento, o fim dramático, por isso chama a atenção. O processo que levou a ao ato começou muito antes.

Pessoas deprimidas melhoram com tratamento efetivo conduzido por um profissional especialista.

Um exemplos simples, a medicação psiquiátrica Carbonato de Lítio, ou somente Lítio, reduz de forma inequívoca o risco de suicidio em pacientes deprimidos. 

Estudos apontam até 5 vezes menos risco de suicidio em pessoas que usam essa medicação. 

Existem até mesmo correlação entre o nível de lítio na água de uma cidade e seus índices de suicidio. Quanto mais lítio, menos suicídios

O uso precisa ser feito com acompanhamento de psiquiatras experientes.

Como pode a discussão sobre o acesso a profissionais e a medicamentos como o Lítio ficar de fora da conscientização do Setembro Amarelo?

Quantos psiquiatras atuam na rede pública da sua cidade? Quantas semanas se espera para conseguir uma consulta?

Em Cuiabá e Várzea Grande diversos hospitais privados e públicos não possuem psiquiatras responsáveis pelos pacientes, cabe a família procurar um profissional. É cada um por si. 

Os planos de saúde do estado não tem convênio com hospitais para internação dos casos graves, não existe atendimento especializado 24 horas na rede pública (nossa vizinha Campo Grande tem quatro serviços do tipo). 

O hospital Adauto Botelho míngua sem vagas e estrutura. Na prática, não existe hospital estruturado para tratar uma pessoa com ideação suicida em nossa rede, pública ou particular. 

Como podemos ignorar esses fatos, usar um lacinho amarelo e sorrir? 

Não quero jogar um balde de água fria em quem está engajado na campanha, se envolva, o assunto é importante, mas como a campanha é de conscientização, vamos tomar consciência do que realmente causa impacto.

Quem está doente precisa sim de empatia, como qualquer pessoa, mas precisa, com muita pressa, é de ajuda efetiva, especializa e rápido.

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Sua mascára está te sufocando?

Acordar, banho, colocar a máscara, trabalho, bom dia, boa tarde, boa noite, tirar a máscara, dormir.  Mais um dia, colocar a máscara, repetir, tirar a máscara, dormir.             

Está cansado? É normal, é comum, é o esperado.             

Cansa mesmo, carregar uma máscara impede que vejam seu rosto, não deixa sua voz ser ouvida. A gente até esquece como era sorrir quando não precisava dela.             

Muito mais que a máscara de tecido, a máscara social não protege, sufoca.            

Fingir que está tudo bem, vestir um sorriso falso, contatos sociais sem sentido e relações tóxicas já eram o decreto em muitas repartições, empresas, famílias e casais.             

Eu, como psiquiatra, sempre deixei claro que tirar a máscara é permitido, pode ser assustador, você se sente exposto, desprotegido, mas é um grande passo para ficar bem. 

O processo de melhorar passa pela admissão, para você mesmo, que aquela fachada é falsa, esconder, nesse caso, só deixa o problema maior e te deixa longe de um progresso.   

“Nao Posso Respirar”              

Última frase dita antes do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos por um policial, desencadeou a mais recente onda de protestos da população negra, que não aguenta mais ser sufocada diariamente.             

Racismo é uma doença que já devia ter sido curada. Preconceito estrutural não tampa só a boca, anula o sofrimento, estrangula o crescimento econômico e amarra o desenvolvimento social de uma parcela da população. Sou branco, nunca passei por isso, nunca vivi as insidiosas, lentas e silenciosas microagressões racistas que contaminam nossas interações. 

Nunca fui seguido por seguranças, ninguém ficou surpreso com alguma conquista acadêmica ou intelectual e minha aparência nunca me prejudicou em entrevistas de emprego. 

Se quiser fingir que nada disso tem a ver com minha cor, eu entro nessa dinâmica cínica e disfuncional de acreditar que as oportunidades são iguais, que o mérito é todo meu e com esforço todos terão as mesmas oportunidades.  

A sociedade veste essa falsa máscara de igualitária e inocente.

Eu, como cidadão, quero ajudar a tirar essa fachada que acoberta o racismo no trabalho, na família ou em casa. Espero que as manifestações atuais toquem nessa ferida não cicatrizada e exponham nossa verdadeira face. 

Temos medo do que tem por baixo, mas é o primeiro passo para a melhora e se esconder não é uma opção. 

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Depressão Mista, ela pode passar despercebida

É quase a regra, alguém com tristeza persistente, perda do prazer na vida, pensamentos negativos e sem energia pode receber o diagnóstico de Depressão e ponto. A consulta costuma ser rápida, o médico tantas vezes não é especialista. Ela recebe um antidepressivo e tem início um tratamento nem sempre com bons resultados.

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Identificar que a pessoa está com Depressão é só o primeiro passo, talvez nem tão difícil, pois o próprio paciente e a família tem ideia que algo não vai bem.

O Psiquiatra, que é o especialista nas alterações do humor, consegue perceber sinais de alerta dentro de um quadro depressivo: irritabilidade intensa, impulsividade, compulsão alimentar, pensamentos acelerados e distrações constantes são sinais de um diagnóstico pouco conhecido: A Depressão Mista.

Ela tem esse nome justamente por ser uma mistura de sintomas, a perda de energia de uma depressão comum e a ativação intensa dos pensamentos e atitudes.

Por que isso é tão importante? Por um grande detalhe, a Depressão Mista responde mal, ou até piora com uso dos antidepressivos. Essas medicações podem causar melhora isolada da tristeza, mas piorar a aceleração dos pensamentos, tornar a pessoa mais irritada, impulsiva e distraída.

How to Recognize the Signs and Symptoms of Depression – Health ...

Com a impulsividade alguns problemas aparecem, gastos financeiros desnecessários, uso de drogas (principalmente álcool e cigarro), tentativas de suicídio e até colocação de piercings e tatuagens. A irritabilidade, ou raiva, gera discussões, destrói casamentos, famílias, empregos, torna a pessoa mais violenta verbal e fisicamente.

A aceleração do pensamento é igualmente angustiante, se sentir dominado pelas próprias ideias, que parecem um turbilhão de informação causam a distração, perda de produtividade e insônia.

Uma consulta minuciosa, sem pressa, que entenda a história de vida daquela pessoa, procurando sintomas que passaram batidos desde a infância e detecte os sintomas mistos pode ser a diferença entre a melhora e a manutenção do sofrimento.

O tratamento da Depressão Mista geralmente precisa de outras abordagens além dos antidepressivos e deve ser conduzido pelo Psiquiatra, que é o profissional qualificado para a estabilização desses quadros.

Ao contrário do que se pensa, Depressão tem tratamento!

Publicado em:https://odocumento.com.br/manoel-vicente-de-barros-depressao-mista-ela-pode-passar-despercebida/

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Redes Sociais, como elas podem te influenciar

Redes sociais são produtos do nosso tempo, se antes o conteúdo era produzido por grandes estúdios e canais de TV, agora todos podem ser “criadores de conteúdo”, e claro, essa nova mídia passa a nos influenciar.

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A  televisão e o rádio sempre ditaram, em algum grau, costumes e pensamentos. Com horários definidos, esperávamos ansiosos por aquele programa no aparelho da sala. Agora a sala ficou obsoleta, e a grade de programação dura muito mais que 24 horas. Deixamos de ser guiados pela televisão e nos tornamos teleguiados pelos celulares, conforme a tela diminuiu, a influência só aumentou.

Sim, ganhamos artistas brilhantes, mantemos contato com amigos de infância, conseguimos compartilhar viagens e momentos especiais, revoluções e mudanças políticas emergiram desse novo mundo.

Isso é transformador, mas como tudo na vida, tem um custo. No momento em que combinar um almoço de família e o encontro de amigos deu lugar a criar um grupo de WhatsApp, provavelmente perdemos muito do que nos conectava.

De alguma forma nossa saúde emocional começa a ser pressionada pelas redes sociais.

Surgem os problemas de Internalização que dizem respeito a sintomas ansiosos, angústia e sofrimento alimentados por um feed de vidas supostamente perfeitas, as melhores viagens e corpos esculturais – isso gera, principalmente entre jovens, um medo de estar perdendo experiências, de fracasso e insuficiência.

Ninguém compartilha noites de estudo, filas no cartório ou idas ao hospital com os filhos – aqueles momentos da vida que não curtimos tanto. Com essa visão distorcida, a pessoa sofre sozinha em uma multidão de amigos virtuais.

As mudanças de Externalização são o padrão que o usuário atua – a sensação de anonimato e a falta de contato visual libera o comportamento agressivo, o bullying e nos faz esquecer qualquer regra de boa vizinhança. O tio que só quer discutir política, a divulgação de fotos íntimas e hostilidade aos que pensam diferente são formas de como isso aparece.

Why social media is constructing a reality unworthy of your ...

Então de um lado temos mais ansiedade e depressão e de outro, mais agressividade e intolerância, isso não descreve só a rede social, descreve o mundo real.

E você, como está sendo influenciado?

Publicado em: https://matogrossomais.com.br/2020/02/17/redes-sociais-como-elas-podem-te-influenciar/

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Depressão e Estimulação Magnética Transcraniana na Gravidez

O período da gravidez e pós parto são naturalmente estressantes para as mulheres, nesse período o risco de transtornos depressivos e ansiosos aumenta muito, chegando a até 20%, por isso é tão comum conhecermos mulheres grávidas com depressão ou ansiedade. A maioria dos casos são leves e devem ser tratados com psicoterapia ou medidas comportamentais. Outra parcela necessita do uso de medicações, atualmente existem remédios psiquiátricos considerados seguros e com boa eficácia, podendo ajudar as mães gestantes com esse quadro.

Um quadro depressivo não tratado durante a gestão se associa a desfechos negativos para mãe e para o bebê. Aumenta o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer, dificuldade de amamentação e depressão pós parto. Também existe risco aumentado de má formações, independente do uso ou não de medicações.

A Depressão não tratada é um fator de risco que, sozinho, aumenta a chance de má formações na criança.

O grande problema é que as medicações atravessam a barreira placentária, em menor ou maior grau. Os antidepressivos mais usados, como a Fluoxetina, por exemplo, não parecem aumentar o risco de má formações, sendo controversos os achados relativos à dificuldade respiratória, baixo peso ao nascer, partos prematuros ou dificuldade de amamentação do recém nascido.

Apesar da reafirmada segurança de antidepressivos, o uso das medicações psiquiátricas ainda é causa de angústia nas futuras mães e futuros pais.

Nesse sentido a Estimulação Magnética Transcraniana é uma alternativa segura para uso durante a gravidez, registros de má formações associadas, uma vez que não existe a passagem de medicações pela placenta, pois a técnica é totalmente baseada em um estímulo localizado no cérebro da mãe com depressão.

Não há necessidade de sedação ou exposição à anestésicos.

Ao redor do mundo mulheres grávidas tem utilizado a Estimulação Magnética Transcraniana com ótimas respostas e registros cada vez mais robustos da segurança do método.

A melhora da depressão por um tratamento médico não baseado em medicações já é uma realidade na psiquiatria moderna.

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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