As pessoas mais fortes que conheci

Julgamentos de valores e concepções podem existir implícitos na fala cotidiana.

Sem perceber, acreditamos e reproduzimos morais antigas e idéias que talvez não façam mais sentido.

Dessa forma, reforçamos conceitos que alimentam preconceitos.

Diminuímos ou condenamos o outro e, às vezes, nós mesmos.  Como tudo que é arraigado, é difícil de perceber, só prestando muita atenção.

Em se tratando de saúde mental, particularmente na depressão, dois conceitos, com toda suas cargas semânticas parecem dialogar nas entrelinhas: o fraco e o forte. 

Weak and Strong Sustainability | LUMES Channel

Depressão remete a algo que deprimiu, que caiu, não conseguiu se sustentar com as próprias pernas.

É, portanto, entendido como fraco, incapaz e frágil.

Quando alguém se revolta por receber o diagnóstico, verdadeiramente está negando esses rótulos. 

Nomear e tratar o sofrimento o torna mais real, precisar de ajuda de algo externo, como medicação, atesta impotência.

Com isso, as poucas miligramas de um comprimido pesam uma tonelada, ao olhar todos os dias para a medicação a pessoa enxerga sua fragilidade, seu lado passional e inseguro. 

Swallowing pills isn't as hard as it seems - Cape Cod Healthcare

A abordagem profissional que vai além dos medicamentos, conduz, na maioria dos casos, a uma melhora significativa e duradoura do humor, mas o lembrete encapsulado e diário da fraqueza pode continuar lá.

Ninguém quer se ver como fraco, e na busca por ser forte, abandonam o tratamento.

O forte é altivo, imponente, vigoroso,  tem coragem e resolve seus problemas sem ajuda.

Para vencer é preciso ser forte.

Quem é forte consegue trabalhar e não reclama, não se queixa, pois segue firme, decidido.

Está feliz, aproveitando a vida que conquista com sua força. 

Esse imagético do forte é a contraposição de uma pessoa deprimida.

Frases como: “você precisa ser mais forte” e “isso é coisa de gente fraca” estão carregadas dessa visão.

Um entendimento arcaico e ultrapassado da depressão.

Quando trazemos o adoecimento para a esfera do tratamento moderno, a carga semântica do cuidado é oferecida.

Acolhimento e compreensão não enxergam conteúdos morais e valores de forte e fraco perdem o sentido. 

“Mas eu sempre fui tão forte”, se te ensinaram a vida inteira que depressão é sinal de fraqueza, esteja aberto a rever seus conceitos.

Ninguém deixa de ser forte porque está adoecido. 

Na verdade, as pessoas mais fortes que conheci sentaram em um consultório na condição de pacientes.

Sair da cama, ir ao médico, fazer terapia, viver e continuar buscando bem estar é nadar contra as ondas o mar, é matar um leão por dia, isso só se faz com muita força. 

Chorando você ainda é uma fortaleza.

O sofrimento não diminui sua grandeza.

Quem tentou suicídio terá cicatrizes, mas elas não podem ser marcas de covardia.

Perceba a força pela sua trajetória, pelo o que já passou, o que já sentiu.

Se empodere de saber que resistiu a tudo isso, às vezes desistiu de tentar, mas novamente, com muita firmeza, voltou.  

E finalmente, se orgulhe ter buscado e perdurado em um tratamento muitas vezes difícil, que não é para os fracos.

Versão em vídeo do Texto, para compartilhar com quem precisa ouvir!



Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

https://www.ipec.med.br/

https://www.instagram.com/dr.manoelvicente/

FLUOXETINA – O QUE VOCÊ PRECISA SABER

A Fluoxetina foi o primeiro antidepressivo da classe dos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS), uma verdadeira revolução para o tratamento da depressão, que antes contava com antidepressivos com muitos efeitos colaterais para os pacientes.

Descoberta na década de 80, com o nome de Prozac, era chamada a pílula da felicidade, e influenciou até livros e filmes por todo o mundo.

Geração Prozac (2011) – Retrata uma revolução no tratamento da depressão

No Brasil é uma medicação acessível financeiramente e está disponível gratuitamente no SUS.

As doses habituais variam de 20 a 40mg/dia, mas doses maiores até 80mg também podem ser necessárias. A dose ideal varia conforme a indicação e de pessoa para pessoa.

PRINCIPAIS INDICAÇÕES

Transtornos Depressivos
Transtorno Obsessivo Compulsivo
Transtornos de Ansiedade
Bulimia e Compulsão Alimentar
Outros

A fluoxetina pode ser ingerida com ou sem alimentos, quando ingerida junto da alimentação o tempo de absorção pode aumentar, mas a eficácia da medicação permanece a mesma. Ela possui apresentações em comprimidos, cápsulas e gotas.

Algumas pessoas podem ter azia ou queimação com o uso – principalmente na apresentação em cápsulas – o que pode ser contornado pela troca por comprimidos ou gotas. Ingerir durante ou logo após as refeições costuma ajudar nesse efeito colateral também.

A Fluoxetina permanece por muito tempo no sangue da pessoa, até 2 ou 3 dias, de forma que não costuma haver síndrome de abstinência quando a pessoa esquece de ingerir (o que é comum na Paroxetina e Venlafaxina, por exemplo).

A retirada da medicação também é mais fácil por ter esse tempo de permanência no sangue bastante longo.

EFEITOS COLATERAIS MAIS COMUNS

Náusea, Dor de Cabeça, Diminuição do Apetite, Diminuição da Libido, Dor Abdominal, Insônia, Irritabilidade, Apatia e Suor excessivo.

GRAVIDEZ

É considerada segura na gestação.

Não há comprovação de má formação ao feto induzida pela Fluoxetina.

Quando usada no fim da gestação podem ocorrer sintomas transitórios de retirada do medicamento no recém nascido (tremores, dificuldade de amamentação, irritabilidade e aumento da frequência respiratória).

AMAMENTAÇÃO

A Fluoxetina é secretada no leite materno.

Apesar de relatos de sintomas de irritabilidade, dificuldade de amamentação, insônia e aumento do choro dos bebês em fase de amamentação, a Fluoxetina pode ser usada durante a amamentação, desde que devidamente acompanhada a mãe e a criança.

IMPORTANTE: Esse blog é voltado para o público geral, de forma que é utilizada uma linguagem simples e acessível, as informações disponíveis não substituem uma consulta psiquiátrica ou avaliação individualizada sobre seu caso. Converse com seu psiquiatra para seu tratamento individualizado.

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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