Eco-Ansiedade: como o fogo, ela está se alastrando

Imagine que você pretende viver por várias décadas.

Imagine saber, sem sombra de dúvida, que em alguns anos você assistirá catástrofes e quando tudo começar não será possível voltar atrás.

Imagine ter convicção que as próximas gerações vão herdar um mundo com o meio ambiente e atmosfera devastada.

Só de escrever essa introdução já sinto ansiedade, ter esse futuro reforçado por todo relatório, notícia e estudo científico sério gera um novo fenômeno psicológico: a eco-ansiedade.

A Associação Psicológica Americana definiu o termo como o medo crônico de uma catástrofe ambiental.

Assim como o nível dos mares, a tensão emocional em torno das mudanças e de futuras calamidades climáticas tem aumentado progressivamente. 

O tema sempre pareceu distante, aquecimento global é importante para um futuro inespecífico e “não vai me atingir”. Com a pandemia de COVID 19 também pensamos assim.

Além disso, o cérebro humano não enxerga mudanças que ocorrem no decorrer de anos. Não agimos se os resultados só aparecem na próxima década, somos péssimos em prevenção. 

Essa visão limitada atrapalha, por exemplo, o planejamento de uma aposentadoria, e dificulta a encarar as verdades sobre as consequências climáticas da atividade humana. 

O assunto é tão desconfortável que criamos um silêncio social em torno disso, em Cuiabá o tema só aparece no período da seca e queimadas e se encerra com a chuva do caju.  Já estamos em clima de eleição e meio ambiente nunca pautou a escolha de governantes em nossa cidade.

Temas que geram ansiedade alimentam líderes negacionistas, o discurso dessas figuras são o ansiolítico. É só discursar que é tudo mentira, que aquecimento global não existe e que as queimadas sempre aconteceram e pronto, discussão encerrada. 

O problema é que criar uma “versão alternativa dos fatos”, antigamente chamada de mentira,  não muda a realidade. Não funcionou na pandemia e não vai funcionar com a natureza, acredite.

Os próximos quatro anos devem ser mais secos e mais quentes do que os quatro anos anteriores, o pantanal encolherá mais um pouco e a fauna será mais destruída. Perderemos milhares de hectares da Amazônia e a humidade que ela trás à atmosfera. 

Afirmações simples, sólidas e, pelo visto, inevitáveis.

Quem opta por reconhecer a realidade precisa lidar com a sensação de impotência, que aliada a falta de perspectivas de futuro sustentável gera a eco-ansiedade. 

A ansiedade normalmente é ligada a distorções dos fatos e a sensações físicas como falta de ar. A eco-ansiedade vem justamente do não distorcer os dados e a falta de ar é bem real.

O desconforto sentido pelas imagens do pantanal em chamas, de animais morrendo e da amazônia cada vez mais devastada, deve progressivamente aumentar essa sensação em nosso estado.

Espero que, como fogo, a eco-ansiedade se alastre e seja o combustível de mudanças que precisamos. Torço para que seja a tempo. 

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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O problema não era o bode

A apócrifa parábola narra a história de uma família cheia descontentamentos e reclamações sobre a sua casa. Um sábio intervém e coloca um bode no meio da sala de estar. Mau cheiro, perda do espaço e o berrar incessante, a vida é desconfortável com o bode ali. 

Uma vez retirado o animal, todos se entreolham e percebem o lar maravilhoso que compartilhavam. 

Existe outra história recorrente com bodes, nela a família se sente mais confortável com o problema dentro da casa. 

Conviver com um familiar com uma doença psiquiátrica pode ser uma situação difícil. A doença é o problema. 

Conflitos na relação, reprovação escolar e demissão do emprego. Discussões à mesa e lágrimas à cama.

Quando um lar possui um filho, mãe ou irmão que sofre, por exemplo,  de depressão ou transtorno bipolar e a doença se estende por anos sem tratamento é fácil acusar o familiar de ser causador de todo problema da casa. 

O bode expiatório. 

Segundo a tradição judaica, era o bode que carregava consigo os pecados de um povo. 

Atribuir os conflitos, a infelicidade e os vícios da família ao único membro que se trata com um psiquiatra ou psicólogo é o movimento instintivo de quem não percebe suas próprias falhas. 

Quem busca tratamento profissional normalmente melhora, se sente mais dono de si, se afirma enquanto indivíduo e, bem, estabiliza os seus problemas. 

Progressivamente a “estourada” passa a se controlar. O ansioso fica mais calmo. Quem chorava, agora sorri. 

Em algum momento aquela pessoa se tornou equilibrada, tem segurança de suas opiniões, toma decisões e se torna mais independente. 

Paradoxalmente, é quando ela mais incomoda. 

Uma vez tratada a doença, todos se entreolham e percebem o lar adoecido que compartilhavam. 

Acabou aquele culpado fácil, problemas também eram causados por quem apontava o dedo. 

A depressão não estragou o casamento, o casamento infeliz desencadeou a depressão. A mãe gritava com o filho porque ele não estudava, mas os  gritos atrapalhavam o estudo. A filha “problemática” não desestruturava a casa, um lar desestruturado lhe trouxe problemas. 

Confrontados com realizações mais incômodas que um bode na sala, é nesse momento que a família sabota o tratamento.

Critica as medicações, fala mal “das idéias da psicóloga” e tenta, a todo custo, colocar a pessoa de volta em seu lugar, o de bode expiatório.

Famílias que se envolvem nos tratamentos, que estão dispostas a também melhorar, constroem um lar sadio, menos propenso ao adoecimento.

Expiar pode ser purificação, reconhecer e assumir consequência por equívocos. No bom cuiabanês, ixpiá é olhar, prestar atenção. 

Não expie suas falhas com seu familiar, ixpie você as suas.

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Sua mascára está te sufocando?

Acordar, banho, colocar a máscara, trabalho, bom dia, boa tarde, boa noite, tirar a máscara, dormir.  Mais um dia, colocar a máscara, repetir, tirar a máscara, dormir.             

Está cansado? É normal, é comum, é o esperado.             

Cansa mesmo, carregar uma máscara impede que vejam seu rosto, não deixa sua voz ser ouvida. A gente até esquece como era sorrir quando não precisava dela.             

Muito mais que a máscara de tecido, a máscara social não protege, sufoca.            

Fingir que está tudo bem, vestir um sorriso falso, contatos sociais sem sentido e relações tóxicas já eram o decreto em muitas repartições, empresas, famílias e casais.             

Eu, como psiquiatra, sempre deixei claro que tirar a máscara é permitido, pode ser assustador, você se sente exposto, desprotegido, mas é um grande passo para ficar bem. 

O processo de melhorar passa pela admissão, para você mesmo, que aquela fachada é falsa, esconder, nesse caso, só deixa o problema maior e te deixa longe de um progresso.   

“Nao Posso Respirar”              

Última frase dita antes do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos por um policial, desencadeou a mais recente onda de protestos da população negra, que não aguenta mais ser sufocada diariamente.             

Racismo é uma doença que já devia ter sido curada. Preconceito estrutural não tampa só a boca, anula o sofrimento, estrangula o crescimento econômico e amarra o desenvolvimento social de uma parcela da população. Sou branco, nunca passei por isso, nunca vivi as insidiosas, lentas e silenciosas microagressões racistas que contaminam nossas interações. 

Nunca fui seguido por seguranças, ninguém ficou surpreso com alguma conquista acadêmica ou intelectual e minha aparência nunca me prejudicou em entrevistas de emprego. 

Se quiser fingir que nada disso tem a ver com minha cor, eu entro nessa dinâmica cínica e disfuncional de acreditar que as oportunidades são iguais, que o mérito é todo meu e com esforço todos terão as mesmas oportunidades.  

A sociedade veste essa falsa máscara de igualitária e inocente.

Eu, como cidadão, quero ajudar a tirar essa fachada que acoberta o racismo no trabalho, na família ou em casa. Espero que as manifestações atuais toquem nessa ferida não cicatrizada e exponham nossa verdadeira face. 

Temos medo do que tem por baixo, mas é o primeiro passo para a melhora e se esconder não é uma opção. 

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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A Dopamina que uma curtida dá

Diz o primeiro passo do Narcóticos Anônimos: “Admitimos que éramos impotentes perante nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis”.

Se as redes sociais são uma nova forma da sociedade interagir, o que seria uma curtida? Um jóia? Um aplauso? Uma piscada? Uma reverência ou uma indireta? Tem significado ou é totalmente casual?

Abrir mão de privacidade, fazer acrobacias, expor filhos, falar sem pensar, tirar trinta selfies e achar que nenhuma está boa o suficiente para ser compartilhada, compartilhar tudo isso porque?

Sean Parker, um dos fundadores do Facebook admitiu que eles exploraram uma vulnerabilidade na psicologia humana, cada curtida ou comentário te entrega uma microdose de Dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e satisfação. 

Da cafeína à cocaína, ela é a molécula chave das dependências.

Como o consumidor de uma substância viciante, você se pega compulsivamente abusando do feed e checa atualizações em busca daquele passageira e deliciosa dose de aprovação social.

Quem vive em torno disso ganha até um rótulo, o “biscoteiro”, que como numa experiência Pavloviana, existe pela busca do próximo agrado, do próximo afago, acreditando que recebe verdadeiro afeto. 

Já existe termo técnico para a dependência de Internet, a Nomofobia (adaptado do inglês “no mobile phone”), que deve ocupar lugar nas futuras classificações diagnósticas de saúde mental. Isso não é a toa, existe real impacto desse hábito no emocional.

Da próxima vez que abrir seu aplicativo, se pergunte, porque estou fazendo isso? Está atrapalhando meu sono, aumentando minha ansiedade, piora minha auto estima? Quanto valor dou a essas interações? Quanto tempo invisto nisso? Que sentimento isso me agrega? 

Em toda adicção também existe o componente da pressão social, amigos oferecendo cigarro ou estimulando a consumir bebida, por exemplo, como você vai encarar uma dependência cuja base é a aprovação social em si?

Eu vou começar admitindo que às vezes passo da conta,  que é o primeiro passo. 

Solicito aos amigos que se me verem abusando, não curtam nem compartilhem, me façam ligações sem moderação e quando o isolamento acabar, tomamos um café para manter a Dopamina em dia. 

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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O Suicídio e o Pedido de Perdão

Recentemente em Várzea Grande mais um jovem, de apenas 17 anos, cometeu suicídio.  Sua ultima mensagem foi um pedido de perdão.

Culpa.

How to get over guilt - Returning To Oneness

É um sentimento constante em quem sofre de Depressão, a doença altera toda a percepção do indivíduo, como uma lente de negatividade. As memórias ficam distorcidas, as mágoas  crescem e toda lembrança parece cinza. A auto imagem, percepção de si mesmo, também piora, a pessoa se sente incapaz e inútil.

“Eu só dou trabalho”, é um pensamento que ressoa na mente depressiva. Acreditar que está daquele jeito por falta de força de vontade, de orações ou de coragem reforça a idéia que o culpado por tudo é a própria pessoa.

A Culpa pode aumentar quando, apesar de várias tentativas, o ânimo não volta e a tristeza não vai embora. Como uma intrusa ela toma conta de tudo, às vezes sem qualquer motivo. Ela fica lá, com vários dedos apontados para a ferida de quem está sofrendo.

Você não é uma boa esposa, uma boa mãe, é um péssimo pai, um amigo ruim, um filho ingrato. E com isso a Culpa toma conta de todas as relações interpessoais e familiares, o suicídio seria uma tentativa de aliviar o peso que os entes queridos carregam.

Para prevenir esses atos é essencial diminuir o tempo entre o início dos sintomas e um tratamento efetivo, traçado por um médico psiquiatra. A Culpa é um sintoma causado pela própria Depressão, a intervenção deve aliviar também esse sentimento.

Justamente por isso, os que ficam não devem se sentir culpados, não dependia só de você.

Perdão.

Forgiveness allows you to break free from bad baggage

Não existe perdão, de mãe ou de filho, que alivie essa sensação sem que a doença tenha sido tratada. O caminho para a paz passa  por um profissional qualificado.

Se você convive com alguém deprimido, entenda que esse sentimento pode estar transbordando diariamente. Não seja você a apontar mais um dedo. Quando possível ofereça perdão, mas sempre ofereça tratamento. Ofereça perdão, quando possível, mas sempre ofereça tratamento.

Ao contrário do que se pensa, Depressão tem tratamento!

Publicado em: https://www.rdnews.com.br/artigos/conteudos/124821

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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MUITO ALÉM DA TRISTEZA – 10 SINTOMAS QUE VOCÊ NÃO CONHECIA DA DEPRESSÃO

Quando falamos em Depressão automaticamente imaginamos uma pessoa que se sente triste, com humor deprimido, “na fossa”, que a tristeza é a única emoção que preenche todos os dias dela.

É bem verdade que Depressão e Tristeza andam juntas, e a Tristeza é uma emoção recorrente entre as pessoas com Depressão, mas não é só isso!

Preparei essa lista com 10 outros sintomas da Depressão para você ficar atento em seus entes queridos e em si mesmo.

1 . PERDA DO INTERESSE OU PRAZER

A perda do prazer em realizar atividades e hobbies que antes traziam alegria e satisfação é provavelmente o sintoma mais recorrente da Depressão (até mais que a Tristeza).

A pessoa evita situações sociais, deixa de fazer exercícios, de apreciar uma música, não consegue dar aquela gargalhada ao assistir uma série ou programa de TV.

2. VARIAÇÃO DE PESO

O nosso corpo espelha nossa mente, é comum a pessoa com Depressão ter variações no apetite. Podendo comer compulsivamente ou perder totalmente o interesse em se alimentar.

Uma alteração maior que 5% do peso total em um mês sem estar de dieta ou fazendo exercícios físicos para isso é um sinal de alerta para doenças do corpo e psiquiátricas.

3. INSÔNIA OU HIPERSONIA

Insônia quase todo mundo conhece. Quando a mente não está bem uma das primeiras funções atingidas é a capacidade de ter uma boa noite de sono.

A cabeça não para e aquele momento de paz se torna uma verdadeira tortura para a pessoa que se revira a noite inteira na cama.

Alguns pacientes podem ter aumento da necessidade de sono, o que chamamos de HIPERsonia – o nome é auto-explicativo – um sono HIPERaumentado.

Algumas pessoas podem chegar a dormir doze a quinze horas e ainda continuarem cansadas.

4. LENTIDÃO

A Depressão tende a causar uma lentidão generalizada, aquela tarefa simples e corriqueira pode demorar muito para ser realizada.

Geralmente isso é observado por outras pessoas, que reparam que a pessoa está mais lenta que o normal, seja para dirigir, cozinhar ou realizar atividade no trabalho.

5. PERDA DA LIBIDO

É difícil ver uma pessoa deprimida que não tenha prejuízos na libido ou disfunção erétil. Se a pessoa está se sentindo triste e perdendo toda a capacidade de sentir prazer, fazer sexo é a última das prioridades.

Inclusive o paciente nem reclama dessa dificuldade, por isso o psiquiatra tem sempre que perguntar sobre isso.

Um grande problema no tratamento da depressão é que os antidepressivos também causam perda da libido, disfunção erétil ou dificuldade para atingir o orgasmo em mais da metade dos que usam essas medicações.

Tratamentos não medicamentosos como a Estimulação Magnética Transcraniana são uma ótima opção para pessoas que querem tratar depressão e tem medo de piorar a atividade sexual ou outros efeitos colaterais.

6. DIFICULDADE DE CONCENTRAÇÃO

“Não consigo prestar atenção em nada”

Assim como a pessoa fica mais lenta, o pensamento também fica “lentificado”, causando a sensação de perda de concentração e dificuldade para ler um livro ou entender uma conversa complexa.

Muitas vezes a perda de concentração leva a pessoa ao Psiquiatra, achando até que tem um quadro de TDAH (Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade) – se não for bem avaliada por um especialista o diagnóstico e tratamento podem mudar completamente!

Algumas medicações podem ter como efeito colateral justamente a perda de concentração, avise seu médico se sentir isso.

7. FADIGA E CANSAÇO

Se sentir exausto muitas vezes é a regra para quem tem Depressão.

Mesmo após dormir, a pessoa sente como se toda energia estivesse esgotada, ir trabalhar, limpar a casa, levar os filhos na escola são como correr uma maratona.

Essa perda de energia costuma melhorar muito com exercícios físicos, mas como orientar alguém extremamente cansado a fazer exercícios aeróbicos?

Isso é um desafio para pacientes e médicos psiquiatras, mas o tratamento correto pode ajudar a dar o pontapé inicial.

8. SENSAÇÃO DE CULPA

Se sentir culpado sem saber o porque, achar que fez algo errado e que todos os problemas da vida e da família são sua responsabilidade é muito comum.

A pessoa pode até saber que essa crença é irracional e que não tem motivo de existir, mas retirar a sensação de culpa é quase impossível na pessoa com Depressão.

9. PERDA DO AUTO-CUIDADO

Deixar de ter vaidade, de se arrumar e perde toda a auto-estima é super recorrente!

Algumas pessoas chegam a ficar dias e dias sem tomar banho, sem pentear o cabelo ou escovar os dentes.

Observar se algum parente ou amigo está deixando de lado rotinas básicas de higiene ou perdeu a vaidade que sempre teve é uma grande dica para perceber a depressão em outras pessoas.

10. PENSAMENTOS DE MORTE

Sem dúvida a maior fonte de sofrimento – nem sempre você vai ouvir “Quero me matar” – esse é o ultimo estágio da Depressão, onde existe o maior risco de suicídio, antes disso muitas pessoas simplesmente pensam na morte o dia inteiro.

“Podia morrer que não ia fazer diferença”, “se eu morresse seria até bom”, “Será que a morte é tão ruim?” – Esse tipo de pensamento ou de fala pode anteceder a ideação de suicídio.

Nunca ignore esse sinal – é o mais grave e maior indicativo de tratamento o mais rápido o possível com o psiquiatra!

Antidepressivos podem diminuir a libido?

Infelizmente esse é um efeito colateral muito comum na maioria dos antidepressivos. 

Para entender melhor esse problema que acomete grande parte das pessoas com Depressão, é importante saber o significado de algumas palavras

Libido é a vontade de ter relações sexuais. A Depressão já atrapalha por si só a disposição sexual. A maioria dos antidepressivos também faz isso. Não adianta melhorar o humor e a tristeza e manter ou até piorar esse sintoma.

A Disfunção Erétil é um problema que pode acometer o homem que usa antidepressivos, mesmo tendo vontade, não consegue ter ereções sozinho ou em relações sexuais. Também chamada de Impotência.

O Orgasmo é o ápice do prazer, os antidepressivos por acelerar ou atrasar o tempo para o orgasmo. Anorgasmia é quando a pessoa nunca consegue ter o orgasmo, o que é muito incômodo tanto para homens quanto para mulheres.

O tratamento da Depressão com medicações ainda precisa conviver com alguns efeitos colaterais, pode ocorrer Disfunção Erétil, Anorgasmia e Redução da Libido – se o paciente tiver qualquer desses sintomas deve contar para o médico.

Não pode ter vergonha, não pode esconder, pois o psiquiatra é o mais capacitado para te ajudar a resolver os efeitos colaterais dos antidepressivos.

Acredite, é muito comum!

Existem estratégias de tratamento para tentar reduzir ou até acabar com essa perda da Libido, Disfunção Erétil e Anorgasmia
Acredite, é uma coisa muito comum!

O tratamento com Exercícios Físicos, Psicoterapia e Estimulação Magnética Transcraniana possuem a vantagem de uma melhora sem qualquer efeito colateral da função sexual.

Qualidade de vida vem do tratamento da Depressão e de efeitos colaterais toleráveis!

Tem dúvidas? Sugestões de novos posts? Comente nesse post!

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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Como é a primeira consulta com o médico psiquiatra?

É comum a pessoa evitar a consulta com o psiquiatra por medo de como pode ser a avaliação. “O que ele vai me perguntar?” E se disser que eu “to doida”? “Eu tenho que contar minha vida inteira pra alguém que nem conheço?”

Por isso, ajudar os pacientes a ficarem a vontade na primeira consulta exige muita experiência. Nesse texto você terá uma idéia do que esperar na primeira avaliação.

Primeiro vamos colocar o objetivo da consulta: Identificar sintomas ou doenças de saúde mental e definir uma estratégia para resolver isso, que é o tratamento.

Então o objetivo final é te trazer mais qualidade de vida, para isso você deve estar disposto a ajudar o médico nesse processo. Fornecer informações é o melhor caminho.

O tratamento, não necessariamente vai incluir medicações, pode ser necessária apenas psicoterapia, prática de exercícios físicos, ou tratamentos médicos como a Estimulação Magnética Transcraniana, que não envolvem medicações.

“Por onde começar? Comece pelo começo”

É ideal começar a consulta com o psiquiatra falando claramente por que você decidiu procura-lo, inclusive se não tiver sido você quem decidiu e foi algum parente ou amigo que marcou seu atendimento.

Aqui você fala com suas palavras o que está sentindo ou sentiu que te incomodou tanto. Não tem resposta correta, nem jeito certo de dizer. Se o motivo foi “uma agonia muito grande” ou “uma preguiça que fica o dia inteiro”, pronto, já é um começo.

O psiquiatra vai querer saber há quanto tempo esse problema começou, então tente localizar em que momento da vida que as coisas mudaram. Foi há 2 semanas? Ano Passado? No começou ou no final do ano? Há 10 anos atrás?

Uma dica para lembrar de datas muito no passado é tentar lembrar o que você estava fazendo na época: Foi no fim da faculdade? Depois da primeira gravidez? Quando você trabalhava no último emprego?

Nesse momento, a entrevista – a consulta do psiquiatra é muito próxima de uma entrevista mesmo –  vai variar conforme sua queixa principal. Juntos, você e seu médico, vão tentar identificar outras queixas e outros problemas que não são os principais, mas são igualmente importantes.

O médico deve perguntar sobre detalhes como: Variações de humor; Ansiedade; Capacidade de Concentração; Irritabilidade; Impulssividade; Compulsão alimentar ou perda de apetite; Qualidade do seu sono (Se você tem insônia, ou o sono não é reparador); Como anda sua Libido (vontade de ter relações sexuais);

Se tiver muita coisa pra falar, anote.

Essa é uma técnica que pode ajudar a pessoa se organizar para tirar as dúvidas e não esquecer de alguma queixa que te incomoda. É comum o paciente esquecer de falar algo importante ou um sintoma que atrapalha.

Tratamentos Anteriores

Também é necessário saber as medicações psiquiátricas que você já utilizou. Tente se lembrar bem, porque você pode ter usado antidepressivos com o neurologista ou o cardiologista, por exemplo, pode ter te prescrito Fluoxetina, Diazepam ou Topiramato (todos são medicamentos psiquiátricos).

Qualquer medicação controlada, ou seja, que você não conseguia comprar sem receita médica, pode ser uma informação relevante.

Você pode até fazer uma lista antes da consulta, com o nome das medicações, a dose e por quanto tempo tomou (se você conseguir lembrar). Pode incluir nessa lista medicações fitoterápicas ou homeopáticas que você já utilizou e o motivo de ter feito o uso.

Comente a experiência com essas medicações, quais te ajudaram, quais não tiveram efeito e se causaram efeitos colaterais, como ganho de peso, diminuição da libido, dificuldade de concentração, sonolência, insônia ou qualquer outro desconforto.

Você deve saber todas as medicações que utiliza no momento, inclusive as para pressão alta, diabetes, doenças cardíacas, etc.

Se tiver dificuldade de saber todas, o que não é fácil para quem usa muitos medicamentos, anote ou leve as caixas e prescrições médicas que você tem guardadas.

A História da sua Família

A história familiar de transtornos psiquiátricos também é muito importante. Nem sempre é fácil falar sobre o assunto, mas se existem casos na família isso ajuda o psiquiatra a fechar melhor o seu diagnóstico.

Então tente se informar sobre quadros como: Depressão, Transtornos de Ansiedade (Síndrome do Pânico, Crises de Ansiedade), Transtorno Bipolar, Depressão Pós-Parto, Alcoolismo, Uso de Drogas, Internações Psiquiátricas, Esquizofrenia ou outra condição.

Nem sempre esses familiares tiveram diagnósticos por um médico psiquiatra, mas pontuar que sua mãe “é muito triste, desde jovem”, que uma tia “falava sozinha” ou que alguém já tentou suicídio já são informações relevantes.

Quem te acompanha

Escolha bem quem você trás para te acompanhar na consulta, se você trouxer. É ideal que o acompanhante seja alguém próximo, que apoie o tratamento e que possa lembrar de informações que você pode esquecer de falar ao médico.

Se o paciente for uma pessoa idosa ou um menor de idade com dificuldade de lembrar dos detalhes mais importantes da história, a consulta vai ser melhor aproveitada com o acompanhante.

Assim como o paciente desenvolve uma relação com o médico, o acompanhante também deve ter confiança no psiquiatra, expor dúvidas e tentar aprender como melhor ajudar no tratamento do ente querido.

Dessa forma o ideal é que o acompanhante seja sempre a mesma pessoa, assim ele consegue lembrar melhor do desenvolvimento do tratamento.

Faça Perguntas

O médico psiquiatra já espera que você faça perguntas, exponha um pouco do seu ponto de vista sobre o que espera do tratamento e o que pensa sobre seu diagnóstico, por exemplo.

Muitas pessoas tem visões religiosas, filosóficas, ou medo de estar sendo atendido por um psiquiatra. Esse é o momento para expor suas considerações. Isso vai ajudar o seu médico a te entender melhor e você aproveitar ao máximo o tratamento.

Efeitos colaterais das medicações são uma preocupação recorrente, “Esse remédio vai me viciar?”, “Vou engordar?”, “A medicação vai atrapalhar no meu trabalho?”, “Tem outra alternativa?”- Não guarde para você, pergunte!

Exponha com clareza suas opiniões sobre o tratamento proposto, se a consulta foi para te ajudar e para melhorar a SUA vida é claro que no final, quem terá a decisão sobre é você mesmo.

Ficou com Dúvidas? Quer sugerir algum tema? Comente no post agora mesmo!

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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