A Dopamina que uma curtida dá

Diz o primeiro passo do Narcóticos Anônimos: “Admitimos que éramos impotentes perante nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis”.

Se as redes sociais são uma nova forma da sociedade interagir, o que seria uma curtida? Um jóia? Um aplauso? Uma piscada? Uma reverência ou uma indireta? Tem significado ou é totalmente casual?

Abrir mão de privacidade, fazer acrobacias, expor filhos, falar sem pensar, tirar trinta selfies e achar que nenhuma está boa o suficiente para ser compartilhada, compartilhar tudo isso porque?

Sean Parker, um dos fundadores do Facebook admitiu que eles exploraram uma vulnerabilidade na psicologia humana, cada curtida ou comentário te entrega uma microdose de Dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e satisfação. 

Da cafeína à cocaína, ela é a molécula chave das dependências.

Como o consumidor de uma substância viciante, você se pega compulsivamente abusando do feed e checa atualizações em busca daquele passageira e deliciosa dose de aprovação social.

Quem vive em torno disso ganha até um rótulo, o “biscoteiro”, que como numa experiência Pavloviana, existe pela busca do próximo agrado, do próximo afago, acreditando que recebe verdadeiro afeto. 

Já existe termo técnico para a dependência de Internet, a Nomofobia (adaptado do inglês “no mobile phone”), que deve ocupar lugar nas futuras classificações diagnósticas de saúde mental. Isso não é a toa, existe real impacto desse hábito no emocional.

Da próxima vez que abrir seu aplicativo, se pergunte, porque estou fazendo isso? Está atrapalhando meu sono, aumentando minha ansiedade, piora minha auto estima? Quanto valor dou a essas interações? Quanto tempo invisto nisso? Que sentimento isso me agrega? 

Em toda adicção também existe o componente da pressão social, amigos oferecendo cigarro ou estimulando a consumir bebida, por exemplo, como você vai encarar uma dependência cuja base é a aprovação social em si?

Eu vou começar admitindo que às vezes passo da conta,  que é o primeiro passo. 

Solicito aos amigos que se me verem abusando, não curtam nem compartilhem, me façam ligações sem moderação e quando o isolamento acabar, tomamos um café para manter a Dopamina em dia. 

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

http://www.ipec.med.br/

https://www.instagram.com/dr.manoelvicente/

Redes Sociais, como elas podem te influenciar

Redes sociais são produtos do nosso tempo, se antes o conteúdo era produzido por grandes estúdios e canais de TV, agora todos podem ser “criadores de conteúdo”, e claro, essa nova mídia passa a nos influenciar.

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A  televisão e o rádio sempre ditaram, em algum grau, costumes e pensamentos. Com horários definidos, esperávamos ansiosos por aquele programa no aparelho da sala. Agora a sala ficou obsoleta, e a grade de programação dura muito mais que 24 horas. Deixamos de ser guiados pela televisão e nos tornamos teleguiados pelos celulares, conforme a tela diminuiu, a influência só aumentou.

Sim, ganhamos artistas brilhantes, mantemos contato com amigos de infância, conseguimos compartilhar viagens e momentos especiais, revoluções e mudanças políticas emergiram desse novo mundo.

Isso é transformador, mas como tudo na vida, tem um custo. No momento em que combinar um almoço de família e o encontro de amigos deu lugar a criar um grupo de WhatsApp, provavelmente perdemos muito do que nos conectava.

De alguma forma nossa saúde emocional começa a ser pressionada pelas redes sociais.

Surgem os problemas de Internalização que dizem respeito a sintomas ansiosos, angústia e sofrimento alimentados por um feed de vidas supostamente perfeitas, as melhores viagens e corpos esculturais – isso gera, principalmente entre jovens, um medo de estar perdendo experiências, de fracasso e insuficiência.

Ninguém compartilha noites de estudo, filas no cartório ou idas ao hospital com os filhos – aqueles momentos da vida que não curtimos tanto. Com essa visão distorcida, a pessoa sofre sozinha em uma multidão de amigos virtuais.

As mudanças de Externalização são o padrão que o usuário atua – a sensação de anonimato e a falta de contato visual libera o comportamento agressivo, o bullying e nos faz esquecer qualquer regra de boa vizinhança. O tio que só quer discutir política, a divulgação de fotos íntimas e hostilidade aos que pensam diferente são formas de como isso aparece.

Why social media is constructing a reality unworthy of your ...

Então de um lado temos mais ansiedade e depressão e de outro, mais agressividade e intolerância, isso não descreve só a rede social, descreve o mundo real.

E você, como está sendo influenciado?

Publicado em: https://matogrossomais.com.br/2020/02/17/redes-sociais-como-elas-podem-te-influenciar/

Dr. Manoel Vicente de Barros – Psiquiatra em Cuiabá

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